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Menos novas infecções mas mais pessoas a viver com o HIV

Globalmente, nos últimos oito anos, as novas infecções pelo vírus da sida diminuíram 17%. Esta foi uma das principais boas notícias anunciadas esta terça-feira pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para o VIH/Sida (OnuSida).

Tanto mais quanto essa descida também se verifica nas regiões do planeta mais atingidas pela doença. Mais precisamente, desde 2001, o número de novas infecções na África subsariana desceu 15%; no mesmo período, no Leste asiático as novas infecções caíram quase 25%, enquanto no Sudeste asiático caíram 10%. “A boa notícia é que temos provas de que os declínios que estamos a ver são devidos, em parte, à prevenção”, disse num comunicado Michel Sidibé, director executivo da OnuSida.

Os dados também mostram que, actualmente, há mais pessoas do que nunca no mundo a viver com o VIH, graças às terapias anti-retrovirais. Mais: as mortes por doenças relacionadas com a sida diminuíram mais de 10% nos últimos cinco anos, devido a um maior acesso das pessoas aos tratamentos. No Botswana, por exemplo, onde a cobertura terapêutica é de 80%, as mortes relacionadas com a sida desceram mais de 50%. A OnuSida e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que, desde 1996, altura em que esses medicamentos ficaram disponíveis, terão sido salvas quase três milhões de vidas humanas.

Porém, isso não chega, como salientou Sidibé em declarações à Reuters, “porque os avanços no tratamento e na prevenção do VIH continuam a ser muito inquinados”. Teguest Germa, director do departamento VIH/Sida da OMS, frisou por seu lado, numa conferência de imprensa simultânea em Genebra, que embora no final de 2008 mais de quatro milhões de pessoas estivessem a receber medicamentos contra a sida, “mais de cinco milhões precisam de tratamento e não têm acesso a ele”.

Do lado da prevenção – e apesar dos progressos agora vindos a público –, o panorama também deixa a desejar. “Os resultados mostram que os programas estão frequentemente desfasados”, diz Sidibé. Existem muito poucos programas de prevenção para pessoas com mais de 25 anos de idade ou casais (casados ou que vivem em relações estáveis), já para não falar em divorciados e viúvos. Por exemplo, na Suazilândia, onde 26% da população adulta está infectada pelo VIH (o recorde mundial), mais de dois terços dessas pessoas têm mais de 25 anos.

O papel das redes sociais

O desfasamento é tanto mais preocupante quanto a “face” da epidemia está a mudar em regiões como a Europa do Leste ou a Ásia Central. Antes, a população mais atingida eram os utilizadores de drogas injectáveis, mas a epidemia alastrou para os parceiros dessas pessoas. E noutras zonas da Ásia, onde as vias de infecção eram as drogas injectáveis e a prostituição, a doença está a afectar cada vez mais os casais heterossexuais.

O financiamento dos programas de prevenção também está a definhar: no Gana, por exemplo, o orçamento destinado à prevenção da sida diminuiu em 43% por comparação ao de 2005. Mas a interligação das próprias pessoas envolvidas poderá contribuir para colmatar estas falhas. Sem dúvida a pensar nisso, a OnuSida anunciou também uma outra novidade: o lançamento, há semanas, de uma rede social on-line, a AIDSspace. org, “para ligar entre si os 33,4 milhões de pessoas que vivem com o VIH e os milhões de pessoas que fazem parte da resposta contra a sida”, salienta ainda o comunicado.

“O pressuposto por detrás do AIDSspace é simples: se centenas de milhões de pessoas têm a possibilidade de se ligar através de redes sociais como Facebook, LinkedIn, MySpace, Twitter e YouTube para trocar ideias e informações [de todo o tipo], também podem fazer a mesma coisa com conteúdos relacionados com a sida, tais como estudos, material multimédia, relatórios, recursos essenciais, etc.”.

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