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Marley: Um artista multifacetado “acometido” pela timidez

Marley: Um artista multifacetado “acometido” pela timidez

A paixão pelas artes, sobretudo a poesia e a música, faz de Vítor Armando, conhecido por Marley no mundo artístico, um artista multifacetado. Porém, apesar de possuir um talento imensurável e uma vasta experiência, ele vê o seu trabalho ofuscado pela timidez que o caracteriza.

O adágio popular segundo o qual “quem não arrisca não petisca” encaixa-se como uma luva na vida de Vítor Armando, mais conhecido por Marley. Na verdade, ele prefere guardar as suas obras devido à aparente desvalorização das artes em Nampula. O artista optou por produzir poucas obras, ao invés de apostar na quantidade, pois, na sua óptica, poucas são as pessoas que apreciam esse tipo trabalho.

A sua característica insegura faz com que não se exponha e nem divulgue os seus dados pessoais. Marley diz-se ser reservado e a sua privacidade é cumprida à risca.

A história de Vítor Armando no mundo das artes iniciou-se quando frequentava o ensino primário. Ele sobressaia em relação aos seus colegas por causa dos poemas que escrevia. Naquela época, segundo o jovem, ele sonhava em ser um grande poeta. Nos seus textos, procurava, sempre, abordar assuntos relacionados com o quotidiano.

Um artesão aspirante

Nos meados do ano de 2003, o artista multifacetado juntou-se a um grupo de artistas malawianos, e com eles aprendeu o artesanato. Portanto, foi a partir daí que Marley resolveu abraçar a carreira de artesão.

O jovem resolveu dedicar-se à poesia e, ao mesmo tempo, ao artesanato e à música. Ao juntar-se às áreas culturais com que se identifica, Vítor pretendia vencer a sua timidez e, posteriormente, tornar-se um artista activo.

Porém, já se passam 11 anos desde o início da sua carreira como artesão e, não obstante a sua longa experiência naquele ramo artístico, ainda se mostra receoso no tocante à divulgação dos seus trabalhos. Ele, também, receia expor as suas obras porque acredita que a cidade de Nampula não possui uma população que dá o devido valor às artes.

Volvido algum tempo, enquanto a sua habilidade poética se ia tornando mais sólida, Marley descobriu que tinha uma queda para a música, mas por temer o resultado que podia tirar daquela ramificação cultural, decidiu não seguir aquele ramo artístico.

A sua carreira começou a conhecer bons momentos depois de ter optado por se juntar a outros artistas que desenvolviam as suas actividades no recinto do Museu Nacional de Etnologia, onde funcionava anteriormente a Casa Velha de Nampula.

“Sou um artista ambulante”

À semelhança de vários outros artistas residentes na província de Nampula, Marley é da opinião de que a feira dominical não é um local apropriado para a comercialização dos produtos artísticos por causa dos cidadãos mal-intencionados. Por essa razão, a quantidade de clientes que visitam aquele local, particularmente os estrangeiros, não tem sido satisfatória.

Por outro lado, o jovem artista recorre às ruas da cidade de Nampula para expor os seus trabalhos e sente-se feliz por estar na via pública. Muitas vezes, ele vende cadeiras e mesas, mas prefere trabalhos encomendados. “Eu procuro um local que ofereça condições para a venda. Eu vi na rua o que não pude ver na feira dominical e outros locais. Eu gosto de um lugar calmo, onde os meus clientes e os meus apreciadores se vão sentir à vontade”, explicou.

Importa referir que Vítor, além de ser artesão, poeta e cantor, nos tempos livres também se dedica à pintura de infra-estruturas. O dinheiro que ganha naquela actividade destina-se à sua subsistência.

A timidez arruína a carreira

O jovem artista produziu diversas obras, com maior destaque para as de uso doméstico, tais como cadeiras, mesas, entre outros utensílios, obtidos a partir da madeira e da palha. Porém, devido à sua timidez, ele prefere não apostar tanto na sua divulgação, embora seja da opinião de que “um artista que depende das artes como fonte subsistência põe em risco a sua carreira e pode acabar arruinado”, disse.

Para Vítor, ser tímido não é algo fácil de dominar e a sua carreira não conheceu bons momentos por causa dessa particularidade que ele próprio considera negativa. “A pusilanimidade é algo que não consigo subjugar e, devido a essa questão, não consigo progredir como ambicionava. No entanto, eu pretendo inverter a situação e pode-se ter a certeza de que vou”, garantiu o artista.

Um músico que não quer sobressair

Marley também canta. O estilo Reggae é a sua “praia”. Outrossim, importa referir que foi mercê do seu empenho na área em alusão que o jovem multifacetado ganhou a alcunha de “Marley”.

Cantar faz parte de um dos seus sonhos de criança. Nesse âmbito, ele já gravou diversos temas musicais, mas os mesmos estão guardados, e nunca foram publicados.

Marley participou em diversos trabalhos discográficos de alguns músicos de renome na província de Nampula em particular, e no país em geral. A título de exemplo, cita os artistas Namacotho, Mamudo, entre outros que fazem e que fizeram parte da Casa Velha. Mas, mesmo assim, o jovem não se sente pronto para se lançar no mercado. “Não pretendo sobressair tão já. Vou continuar a trabalhar e a guardar as minhas obras”, disse.

Um poeta ocasional

Apesar de se ter apaixonado pela poesia quando era menino, o nosso interlocutor afirma que, devido à fraca promoção cultural, opta por ser um poeta ocasional, apresentando-se em certos eventos e, às vezes, quando se encontra com outros artistas que queiram trocar experiências.

Se por um lado o seu amor pela poesia cresce consideravelmente, por outro, a vontade de escrever um livro fala mais alto. Mas a falta de recursos para o efeito continua a minar, sobremaneira, os objectivos por si traçados.

Segundo o artista, para fazer a sua apresentação, o ambiente deve ser propício para que ele se sinta completamente livre. “O meu espírito poeta só sobressai quando estou em lugares onde me sinto à vontade, como quando estou com os amigos e nalguns encontros ou reuniões”, explicou.

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