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Máquina da Frelimo “apita” na casa de Moçambique

Inserido no âmbito de “caça” ao voto na diáspora com vista aos pleitos de 28 de Outubro corrente em Moçambique, a máquina partidária da Frelimo, bem afinada, “apitou” esta quarta-feira na sede da Casa de Moçambique em Lisboa, capital portuguesa.

Com efeito, tendo como “locomotiva” a muito ágil e pre-disposta deputada da Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, Beatriz Ajuda, um grupo de trabalho do partido no poder esteve reunido na manha desta quarta-feira com o presidente da Casa de Moçambique, Enoque João, na sede desta associação cívica, em Lisboa. A deputada chefia a Brigada Central da Frelimo mandatada de Maputo para vir ajudar os “camaradas” em Portugal na mobilização do eleitorado.

A actividade do grupo de trabalho do partido constitui mais uma prova de que a Frelimo está, efectivamente, a intensificar o trabalho de “caça” ao voto nesta parcela do mundo. Na ocasião, Beatriz Ajuda fazia-se acompanhar do candidato da Frelimo a deputado da AR pelo Círculo Eleitoral da Europa e Resto do Mundo, Rui Sixpence Conzane, um moçambicano radicado na Alemanha. O Círculo da Europa e Resto do Mundo inclui neste momento Portugal e Alemanha.

“No prosseguimento da campanha eleitoral do nosso partido Frelimo e do nosso candidato as presidenciais, Armando Guebuza, e dentro do programa do candidato a nível da diáspora, nós achamos que devíamos contemplar a Casa- Mae (Casa de Moçambique), que é a casa de todos nós aqui em Portugal”, disse à AIM Beatriz Ajuda, visivelmente satisfeita com o trabalho em curso, no final do breve encontro com Enoque João. Nas quartas eleições presidenciais e legislativas deste ano, que coincidem com as primeiras das Assembleias Provinciais, os moçambicanos na diáspora vão eleger o Presidente da República e o deputado da AR, neste caso pelo Círculo Eleitoral da Europa e Resto do Mundo.

“Estou bastante satisfeita (com o actual estágio da campanha) e, muito em particular no que se deu no dia 04 de Outubro (Dia da Paz e Reconciliação Nacional), porque nós vimos que o nosso candidato foi recebido em apoteose em Lisboa ou seja em Portugal”, recordou a deputada. Beatriz Ajuda fazia referência ao calor humano no convívio organizado pela Comunidade moçambicana em Portugal, com apoio da Embaixada de Moçambique neste pais europeu, para assinalar o 17/º aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP), que acabou constituindo mais uma jornada de “caça” ao voto, tendo a Frelimo apresentado o seu candidato a deputado da AR.

O Acordo Geral de Paz de Roma, assinado em 1992 pelo Governo moçambicano e a Renamo, ex-movimento rebelde, hoje maior partido da oposição em Moçambique, ditou o fim do sangrento conflito armado de 16 anos (até 1992) no pais, e as celebrações da data em Lisboa decorreram na sede da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA). Para além de Lisboa, o candidato da Frelimo esteve em Coimbra, no Centro, onde os militantes o receberam efusivamente, num evento que contou com a presença do “camarada” da Casa de Moçambique, que também “nos recebeu”, disse Beatriz. Rui Conzane trabalhou igualmente em Braga, no Norte, e Faro, no Sul de Portugal.

“Podemos dizer que o nosso trabalho (de campanha eleitoral) aqui em Portugal é excepcionalmente positivo”, concluiu Beatriz Ajuda. Para a deputada da AR, a Casa de Moçambique “representa os moçambicanos e sentimos que pelo facto do nosso candidato representar a Europa e Resto do Mundo achamos que a presença dele nesta casa era benéfica e importante”, sublinhou a chefe de Brigada Central da Frelimo. Justificando a presença do grupo de trabalho naquele local, Beatriz Ajuda argumentou que, primeiro, todo o filho, antes de fazer qualquer actividade, sai duma casa e “nós achamos que, existindo uma Casa de Moçambique aqui em Portugal”, o sítio onde ele deveria fazer “Mpamba” (mamba ou cerimónia) para dizer que “eu estou pronto para os moçambicanos, julgamos que é aqui onde ele está”.

A AIM sabe, a partir de diversos contactos estabelecidos aqui em Portugal, que até antes da realização do encontro desta quarta-feira, a Casa de Moçambique, particularmente o seu presidente, Enoque João, estava reticente no envolvimento na mobilização de moçambicanos para as eleições de 28 de Outubro. Questionada pela AIM se a Associação Cívica teria assumido algum compromisso a partir do encontro de quarta-feira, a deputada da AR avançou que a Casa de Moçambique, “julgo eu, sempre assumiu o partido Frelimo, ao camarada Armando Guebuza, porque, de facto, ele é filho de Moçambique também e é aqui onde todos os moçambicanos reconhecem” como sua casa.

Reconhecendo o bom acolhimento e demonstrando a sua capacidade de interagir nos diversos meios e sensibilidades, a deputada indicou: “costuma-se dizer que aquele que reconhece a casa é aquele que é bem recebido, por isso nós estamos bem recebidos nesta casa”. Respondendo a uma outra pergunta sobre o que a Casa de Moçambique vai fazer de ora em diante, Ajuda sublinhou que “penso que a Casa de Moçambique só o facto de ter recebido o nosso candidato, os camaradas da Frelimo, isto quer dizer tudo, está connosco e vai fazer tudo por forma a que o nosso trabalho possa decorrer da melhor maneira aqui na diáspora e, muito em particular, em Portugal”.

Por seu turno, Enoque João, em representação dos colegas da associação, sublinhou que a vinda de Rui Conzane a Portugal e a simplicidade manifestada no encontro “é sinónimo de que estão reunidas as condições para, a partir daqui, começarmos a trabalhar no sentido de garantir a vitória do candidato do partido Frelimo”. A AIM questionou se a posição que acabava de ser assumida pelo presidente era de Enoque João ou da Associação, tendo este respondido que, primeiro, era de Enoque João e, segundo, da associação cívica. “Os meus pares estão todos com o candidato”, especificou.

“Estamos esperançados que ele (Conzane) ganhe e que possa fazer um trabalho profícuo e que nós possamos ficar satisfeitos”, sublinhou João, numa referência directa ao facto de o próximo deputado da AR pela Europa poder trabalhar para os moçambicanos, segundo disse, “sem olhar pela cor partidária”. A uma outra pergunta da AIM sobre o porque da reviravolta, uma vez que há menos de três meses e numa conversa com o jornalista da AIM, em Lisboa, Enoque João teria dito que estava “fora do baralho político”, este respondeu “é verdade, estava fora do baralho político, pela simples razão: “Sabe, Enoque João apoiou este partido (Frelimo) no passado, e como eu sou uma pessoa de uma só cara, a camarada deputada (Beatriz Ajuda) aqui foi preponderante para que eu quebrasse…”, contou o presidente da Casa de Moçambique.

Referindo-se ao sentido de interacção demonstrado por Beatriz Ajuda no contacto com diversas sensibilidades desde que chegou a Portugal em Setembro passado, João, depois de estimar o gesto, avançou dizendo que “eu disse a ela a verdade. Houve pessoas que nós ajudamos na sua eleição, agora esperamos dessas pessoas também que, quando estão lá em cima, não se esqueçam daqueles que lhes deram a mão…” Breves dados sobre casa de Moçambique em Portugal segundo dados disponíveis sobre objectivos da sua constituição, a Casa de Moçambique tem mais de meio século de existência, mas só em 1988, no tempo do antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, é que figuras como os futebolistas Eusébio, Mário Wilson e outros, resolveram fazer renascer esta associação cívico com propósitos e objectivos diferentes daqueles que corresponderam a vigência da ditadura salazarista.

A Casa de Moçambique, segundo os mesmos objectivos, defende a necessidade de promover uma significativa e honrosa visibilidade da comunidade moçambicana no seio da sociedade e meio de acolhimento; organizar actividades culturais, a todos os níveis; organizar e programar acções de melhoria da formação e aptidão técnica e científica dos cidadãos moçambicanos residentes em Portugal em geral e dos associados e seus familiares em particular, entre outros aspectos.

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