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“Mambas” transformam sonho do “Mundial” em miragem

A selecção nacional de Moçambique empatou no último domingo (24), em pleno Estádio Nacional do Zimpeto, diante da Guiné Conacri e viu o sonho de se qualificar para o Campeonato Mundial de Futebol, Brasil 2014, transformar-se numa miragem – só para não variar. Volvidas três jornadas, a nossa selecção ocupa a terceira posição do Grupo G com dois pontos e a sete do líder Egipto.

Os “Mambas” entraram com vontade de sair do Estádio Nacional do Zimpeto com os três pontos garantidos mas, tão cedo, patentearam falta de eficácia. Nos primeiros dez minutos até que souberam encurralar a equipa adversária no seu próprio reduto, demonstrando, por outro lado, uma excelente capacidade de recuperação de bolas, factor que em algum momento deu a entender que, finalmente, a maturidade tinha sido conquistada.

O primeiro lance de perigo dos moçambicanos deu-se ao oitavo minuto quando, numa bela combinação, Telinho recebeu o esférico de Dominguez e atirou ao lado da baliza à guarda de Keita Aziz. Na sequência desta jogada, a Guiné Conacri respondeu com um ataque rápido que estremeceu a defensiva moçambicana. Valeu a intervenção do lateral Zainadine Júnior que tirou a bola para a linha final.

No primeiro quarto de hora, foi visível a ansiedade da selecção nacional em marcar golos, diante de um adversário contraído e que não se precipitava em jogar ao ataque. Aliás, a vontade de violar as redes de Aziz levou a que os “Mambas” se comportassem como onze desesperados em campo, tal como nos levou a concluir o remate de Miro à passagem do 19º minuto.

Cinco minutos depois, a vez foi de Ricardo Campos ser colocado à prova, ao negar com o punho esquerdo um golo certo do avançado Yattara Mohamed Lamine. Diga- -se em abono da verdade, que aquela defesa fez com que o guarda-redes estreante ganhasse, de forma prematura, a confiança do público moçambicano. Aliás, ao minuto 26, Campos voltou a ser o centro das atenções ao evitar, numa jogada de insistência, duas situações claras de golo dos guineenses.

Este foi o sinal de que a Guiné Conacri estava no Zimpeto para discutir a partida e, a partir desse momento, Moçambique deixou de arriscar no jogo altamente ofensivo, passando a esconder mais a bola do seu adversário.

Até ao intervalo, a única situação a referir foi a do atraso de central Mexer a Ricardo Campos, em que o esférico rolou mal no relvado do ENZ, tendo traído o pé do guarda- redes. Porém, o pior não aconteceu e a Guiné Conacri ganhou naquele lance um pontapé de canto.

A segunda parte começou com os “Mambas” ferozes, à semelhança do que sucedeu na primeira parte, todavia descuidados no que diz respeito à construção de jogadas ofensivas, algumas das quais que surgiam como fruto do acaso. Logo no primeiro minuto, Jumisse cabeceou a bola por cima da baliza.

No instante a seguir, ou seja, um minuto depois, como que a provar que a selecção nacional estava com o moral em alta, o ala do Sundowns da África do Sul, Dominguez, na sequência de um livre directo, atirou a bola por cima da baliza de Aziz. O combinado da Guiné Conacri pareceu nestes instantes estar ainda no balneário.

Ao minuto 55 deu-se o caso do jogo. Clésio, arriscando uma fuga contra dois centrais guineenses, foi derrubado dentro da grande área e o árbitro mandou a jogada prosseguir, como se não tivesse visto nada. Os moçambicanos ficaram, com toda a razão, a reclamar uma grande penalidade.

Aquele jogador da equipa B do Sport Lisboa e Benfica, que teve uma tarde muito inspirada, não ficou só por aí e, de forma subsequente, foi mentor de duas jogadas de perigo: a primeira que culminou com um centro de Miro para a cabeça de Tony que, por sua vez, entregou o esférico a Aziz; e a segunda em que se infiltrou na grande área cruzando para Telinho que mandou a bola para as nuvens.

A equipa da Guiné não ficou apática e soube atacar, sendo de destacar os dois remates seguidos de Traore Ibrahima, um que arrepiou o público apoiante dos “Mambas”e outro totalmente desenquadrado da baliza. Já no fim do encontro, com o jogador do Ferroviário da Beira em campo, Mário, Moçambique teve três soberbas oportunidades de golo desperdiçadas.

A primeira, quando aquele atleta não respondeu afirmativamente a um centro tirado por Zainadine, com o esférico a fazer corredor na zona da pequena área até se perder na linha final; a segunda, num momento em que o mesmo Mário tentou tirar um chapéu ao guarda-redes Aziz, com a bola a ganhar altura para fora; e a terceira no minuto 89 quando Clésio fez um passe para Telinho que rematou a bola para fora, dando, a muitos, a sensação de golo.

Com o resultado, Moçambique tornou remotas as possibilidades de se qualificar para o Campeonato Mundial de Futebol, que vai decorrer no próximo ano no Brasil. É que, volvidas três jornadas, a selecção nacional soma dois pontos, menos sete do que o líder Egipto, sabido que para a fase seguinte só se qualifica uma equipa por cada grupo. Na próxima jornada, a primeira da segunda volta, os “Mambas” voltam a defrontar a Guiné Conacri no seu reduto, isto no próximo mês de Junho.

Um olhar ao jogo

A equipa de Gert Engels entrou com vontade, mas sem fé que baste e, no futebol, só a esta pode mover montanhas. Bem vistas as coisas, a Guiné Conacri tem muito pouco de montanha. Contudo, os “Mambas” encontraram, naquele conjunto, uma espécie de Kilimanjaro para um escalador de primeira viagem e passaram o jogo a contemplar a imensidão do “problema”. As classificações são conquistadas em casa. Ou seja, crescer com o seguro pago.

Um espectáculo pobre condicionado pelo temor à derrota. Houve muitas imprecisões e o interesse no jogo cresceu só nos momentos de descontrolo. A imprevisibilidade sempre chama a atenção e alimenta o suspense.

Dominguez e companhia ainda não perceberam isso. A equipa de todos nós perdeu virtudes e acentuou defeitos. O nosso meio-campo jogou com os utensílios do medo e fracassou com estrondo.

A zona intermediária, essa, foi a primeira adversária de Moçambique antes mesmo da Guiné Conacri, onde as rédeas foram entregues a um elemento que se comportou como um neutro, um inactivo, Eduardo Jumisse, que no lugar de ajudar a equipa e libertar Dominguez para as suas maravilhas no flanco esquerdo, soube invalidá-lo, quando este, vezes sem conta, foi obrigado a descer até à zona central para buscar o esférico para o ataque.

O mesmo sucedia com Telinho, no lado direito, factor que exigiu um esforço redobrado por parte de Momed Hagy, o trinco, que para além de anular as jogadas ofensivas do adversário, tinha de dar arranque às investidas ofensivas.

Ainda assim, Gert Engels insistiu naquele jogador, mesmo tendo alternativas no banco, o que, uma vez mais, provou que as suas opções não são em função do ritmo nem das necessidades do jogo. Aliás, por este aspecto, o alemão voltou a ser apupado e com toda a razão, pelo público que, diga-se, em abono da verdade, ainda não esqueceu a tragédia de Marraquexe.

A Guiné Conacri, por sua vez, comedida na primeira parte ao limitar-se nas jogadas de contra- -ataque que estremeciam a defesa moçambicana, foi a que mais teve posse e circulação de bola. Pecou somente no detalhe da finalização, onde o mérito vai para o guarda-redes estreante moçambicano, Ricardo Campos, que, por diversas vezes, foi chamado a manter a inviolabilidade das suas redes.

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