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Mambas: espelho épico de uma realidade medíocre

As nossas constantes subidas no “ranking”/FIFA, graças a prestações positivas frente às selecções mais fortes do Continente, terão trazido ao coração dos moçambicanos, a imagem ilusória – e perigosa – de que o nosso desporto no geral e o futebol em particular terão dado um grande salto qualitativo. Olhando com realismo, constata-se que não.

As camadas jovens, base da pirâmide, continua quase esquecida.

Porém, a força mobilizadora que o “desporto-rei” ao mais alto nível tem, quando projectado para os écrans e para os media, de uma forma – Mostrar texto das mensagens anteriores – Dizia um “expert” na matéria e nós temos de concordar plenamente, que com um conjunto tão ínfimo de campos, ainda por cima “ervados”, o nosso futebol não pode ir longe. E chega-se ao extremo de turmas que ascendem ao Moçambola sem sequer terem campo para jogar.

Estas são duas causas, em muitas outras, sendo a maior de todas a propalada prioridade para a massificação e formação, bonitos “slogans” que continuam bem longe da realidade. As cidades crescem, o cimento asfixia e os espaços para o desporto, para ser praticado de forma lúdica, diminui dia-a-dia. Além disso, toda a componente que rodeia e enquadra as actividades desportivas só agora começa a despertar para o profissionalismo e profissionalização.

Equipas de primeiro plano ainda não fazem estágios, jogadores de Selecção alimentam-se mal. A componente clínica? Atrasada e incipiente. Perdem-se jogadores por falta de um mínimo, na componente que mais tem progredido no mundo: a medicina desportiva.

 

MAMBAS VERSUS MOTIVAÇÃO

A motivação dos miúdos, outrora sem modelos locais, foi “abalada” pelo surgimento meteórico de estrelas como Simão Mate, Tico-Tico, Paíto, Mahomed Haji e, mais recentemente, Mexer jogador que, pelas suas ultimas exibições, “mexeu” com os corações de todos.

O “edifício” do futebol moçambicano está sendo construído a partir do tecto. Sabemos que no desporto os milagres não acontecem. Porém, neste caso coloca-se aos moçambicanos uma rara oportunidade: capitalizar os fortes e positivos ventos que nos têm sido proporcionados pela cerca de uma vintena de talentosos Mambas. Ao proporcionarem-nos a alegria de vulgarizarem selecções como as da Nigéria, Tunísia e Costa do Marfim, criaram ventos novos que ajudam na nossa auto-estima e nos empurram para novos e mais exigentes feitos.

E é verdade que quem semeia ventos pode colher – saborosas, neste caso – tempestades. Há agora que ter persistência, trabalho e paciência para se recolocar no seu lugar a base alargada de movimentações, que hoje em dia já não brotam por geração espontânea como acontecia na era de Eusébio, Coluna, Matateu e tantos outros.

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