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Makarapamania

Makarapamania

Na África do Sul, fanático por futebol que se preze não se limita a carregar um vuvuzela para o estádio. Outro acessório adorado pelos fans locais é bem mais emblemático e criativo – e deve ajudar a colorir as arquibancadas a partir do jogo de abertura, na sextafeira, entre os Bafana Bafana e o México.

Trata-se do makarapa, um capacete de mineiro que é pintado e recortado ao gosto do adepto. O Makarapa nasceu no final dos anos 70, idealizado por este homem, Alfred Lux Baloyi, considerado por todos como o pai da Makarapa. “Eu sou o homem por detrás do Makarapa, sou o pai do Makarapa. Se observar, todos utilizam o Makarapa e juntamente com outros acessórios… e tudo por causa do grande Baloyi”, sublinha Alfred “Lux” Baloyi.

O adereço surgiu na própria Johannesburgo, cidade cuja história é intimamente ligada à exploração do ouro pelos migrantes negros empregados pelas grandes companhias de mineração. O próprio termo makarapa era usado para se referir aos trabalhadores do interior que chegavam para servir de mão-de-obra nas minas. A criação é atribuída a Alfred “Lux” Baloyi, ex-empregado doméstico, hoje com 52 anos. Fã apaixonado dos Kaizer Chiefs, um dos clubes mais populares do país, Baloyi ganhou seu primeiro capacete de um amigo, depois de ver outro adepto ser atingido na cabeça por uma garrafa arremessada na arquibancada.

 Para que a peça não destoasse do resto de sua indumentária dos Chiefs, decidiu decorála com as cores da equipe, amarelo e preto. Com o passar do tempo, confeccionou versões mais elaboradas, colando buzinas nos capacetes e recortando o plástico para dar novas formas à peça. Na África do Sul, desde que haja futebol, este chapéu está presente “Começa a ser mais visto por causa do mundial. Mas é um objecto tradicional dos adeptos já há algum tempo. Estes chapéus são feitos à mão, cortados manualmente. É um processo um pouco lento. Trabalho com um parceiro, o Jan… ele está nos arredores”, diz Harry, proprietário de uma loja. Jan, o fabricante, trabalha a uma hora de Joanesburgo.

Ele optou por manter a tradição artesanal. Há que tenha escolhido a produção em grande escala com fábricas, máquinas e uma grande rentabilidade. A procura é grande, e até a FIFA encomendou 2000 unidades. Jan, continua a cortar e a pintar. Já lá vão 15 anos desde que transforma capacetes de mineiros. Mesmo com uma produção manual, Jan não quer passar ao lado do mercado que o Mundial oferece. Por isso, contratou várias pessoas dos bairros desfavorecidos. Tornou-se numa forma de inserção profissional e orgulha-se disso. Foi como no ano passado quando um banco encomendou 8 mil unidades.

“No último ano, com as encomenda estava a empregar 56 pessoas. Estava muito satisfeito porque ajudava muitas pessoas que sofriam, que não tinham nada para comer. Estava contente porque ajudava pessoas a matar a fome”, diz Jan Magana. Sem cessar, Jan e os funcionários cortam, destacam e pintam as Makarapas. Ele fornece-as em todo o lado e a todos: aos vendedores ambulantes, às lojas da cidade e mesmo às agências de turismo que ocupam-se de turistas de todo o mundo.

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