Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

O microfone d@ Verdade: Mais Responsabilidade sff

O microfone d@ Verdade: Mais Responsabilidade sff

Desde a pretérita semana, temos mais um ‘colega’: o jornal “Expresso Moz”. O lançamento de um órgão de informação num país como o nosso, onde a grande maioria da população ainda possui uma educação muito rudimentar, é de enaltecer e apetece sempre dizer ‘bem-vindo ao clube’, sobretudo conhecendo bem as difi culdades com que se debatem os órgãos de comunicação social em Moçambique.

Tenho consciência de que ao expressar esta opinião – é a minha opinião e por isso vale o que vale – irei ser criticado por muitos, especialmente pelos da minha classe, porque ‘dizer mal dos outros’ não fica bem, é deselegante e facilmente se pode confundir com arrogância e sobranceria, coisas que, de forma alguma, pretendo fazer passar com esta opinião.

No cabeçalho do “Expresso Moz, à laia de slogan, lê-se: “A Notícia como vector de Desenvolvimento. Depois, no editorial, refere-se a dado momento: “Pretendem (os seus jornalistas) desta forma prestar a sua humilde colaboração e contribuição no processo de democratização em curso no país, dando para o consumo dos moçambicanos uma informação verdadeira, exacta, isenta e imparcial…”

Pois é no ponto da informação verdadeira e exacta que, como se costuma dizer numa linguagem popular, a ‘porca torce o rabo’. Na edição de estreia, com data do dia 10 de Maio, há duas peças em que os antónimos de verdadeiro e exacto encaixam como uma luva. Uma diz respeito à secção do Mundo, outra à do Desporto.

A primeira atribuiu a Bill Clinton a frase: “Humanidade está mais centrada no dinheiro que nas pessoas”. Grave, muito grave, inadmissível. Tudo porque esta notícia é pura ficção, sendo retirada do Inimigo Público, um suplemento satírico do jornal português “Público” onde se lê na ficha técnica:

“O Inimigo Público é um jornal satírico, sendo todo o seu conteúdo ficcional”. No mesmo espaço está escrito: “Se não aconteceu…podia ter acontecido. Mas, pelos vistos, para o “Expresso Moz” o impensável aconteceu mesmo e foi plasmado como verdadeiro na sua página do Mundo.

Numa situação destas questiona-se tudo: a formação do jornalista, a sua responsabilidade, a sua falta de discernimento para distinguir o verdadeiro do falso, a sua percepção do mundo e do que se passa à sua volta.

A este jornalista qualquer um pode contar a mais estrambólica história que ele irá, certamente, escrever. Como é que alguém pode ser tão ignorante a ponto de achar que Bill Clinton – este senhor foi presidente dos EUA, o país mais importante do mundo – proferiu a frase com que a peça termina: “Mas prefi ro receber 10 milhões a ter sexo com a Hillary!”

Na secção de Desporto lê-se em título: “Apito Dourado” volta ao Moçambola. Aqui, torno a bater na tecla da desinformação. Para ‘voltar’ é preciso que alguma vez já cá tenha estado e ao que me conste o “Apito Dourado” nunca esteve no Moçambola. “Apito Dourado” foi o nome com que a Polícia Judiciária portuguesa baptizou uma operação contra a corrupção no futebol português. Foi a designação dada àquele caso específico.

Contudo, para o escriba da notícia, “Apito Dourado” é sinónimo de corrupção no futebol em geral, só assim se entende que tenha começado a peça nos seguintes termos: “Conhecido na Europa, [só se for por Portugal fazer geografi camente parte da Europa] especialmente em Portugal, como “Apito Dourado”, parece que a moda tende a pegar no nosso futebol Moçambola.” Palavras para quê?!

Sei que o “Expresso Moz” é feito por jovens, aliás isso é referido em editorial, um deles inclusivamente trabalhou nesta casa, mas a juventude e a inexperiência não podem servir de escudo para tudo, sob pena do jornalismo neste país cair num descrédito total, o que, diga-se, já esteve bem mais longe de acontecer.

Encarem estas críticas como um incentivo e um estímulo para no futuro fazerem um jornalismo muito mais responsável, muito mais profi ssional, cuidadoso, rigoroso e escrupuloso, porque a nossa classe, pela sua idiossincrasia, tem responsabilidades acrescidas na sociedade.

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