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EDITORIAL: Um Governo ilusionista

Pode parecer que estamos a caricaturar. Mas, pelo contrário, esta é a realidade e nós apenas nos limitamos a dar visibilidade às costumeiras práticas enviesadas protagonizadas pelo Executivo liderado por Armando Guebuza, que, com o andar do tempo, vai zombando da desgrenhada miséria com que mais de 70 porcento da população moçambicana são obrigados a conviver diariamente.

Que o Parlamento moçambicano se equipara a uma orquestra onde cada instrumentista toca uma música diferente já é de senso comum. Até porque, de um lado, temos os “camaradas” mostrando o seu generalizado subdesenvolvimento político, sobretudo a sua cegueira partidária, aprovando tudo – mesmo quando se trata de assuntos que, de modo algum, beneficiarão o povo – que lhes chega às mãos, para a tristeza dos moçambicanos que lhes confiaram o destino da Nação e, consequentemente, das suas vidas.

Do outro lado, está a Oposição sem voz e nem vez, restando-lhes apenas a emissão de insultos e escárnios, pois é impossível humanizar o partido no poder e retirar a maioria absoluta das mãos dos que já a têm. Mas o que os leitores não sabem ou ainda não deram conta é que o Parlamento se tornou um covil de palradores cientificamente preparados para subscrever todas as perversas decisões como, por exemplo, da cesta básica, tomadas pelo Conselho de Ministros.

Mas o mais triste ainda é quando o Governo coloca os pés na Assembleia da República, cinicamente chamada Casa do Povo. Pois esta deixa de ser um coliseu de “orquestra desencontrada do país” e transforma-se automaticamente num verdadeiro circo. Não pela quantidade de palhaços e tão-pouco de malabaristas travestidos de políticos. Mas pelos frequentes e sucessivos números de ilusionismo apresentados pelo Executivo de Guebuza a milhões de moçambicanos que têm a infelicidade de acompanhá-los pela rádio e televisão.

Agora parece que ninguém tem mais dúvidas de que a cesta básica não passa de ilusão, uma verdadeira trapaça, habilmente concebida para aldrabar incautos, pois, segundo as contas do Governo, a uma família-tipo em Moçambique composta por cinco pessoas, a cesta básica custa 840 meticais/mês. Isto só prova que este país é dirigido por sujeitos que vivem à margem da realidade dos moçambicanos e especialistas em ampliar os seus negócios à custa do sofrimento do povo e, ainda como se não bastasse, se fazem passar por benfeitores.

Os moçambicanos elegíveis à cesta básica, supostamente criada para atenuar o custo de vida, vão ter de pagar nas lojas que serão seleccionadas 840 meticais por mês. Isto significa que o Governo só vai subsidiar caso o preço dos produtos que compõem a famigerada cesta básica suba. Ou seja, se o preço se mantiver, as pessoas vão pagar o que vão consumir e o Estado ficará sem nenhuma responsabilidade. Em suma, a cesta básica é uma mera ilusão para este povo que continua a morrer de fome e de doenças curáveis, tudo porque os seus governantes estão preocupados com os seus próprios umbigos.

Fica cada vez mais claro que os moçambicanos foram na conversa de promessas que são feitas por quem não tem vontade de as cumprir, e por um partido que coloca as rivalidades pessoais e partidárias antes dos legítimos interesses do povo.

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