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Mais quatro partidos pequenos apoiam Guebuza

Mais quatro partidos pequenos anunciaram na quinta-feira, em Maputo, o seu apoio “incondicional” ao candidato presidencial da Frelimo, Armando Guebuza, nas eleições da próxima Quarta-feira. Trata-se do Partido Conservador Democrático (PCD), Frente Liberal, Partido da União Africana para a Salvação do Povo de Moçambique (UASPM) e do Partido Social Democrático Independente. A semelhança dos outros partidos pequenos que há dias se “entregaram” a Frelimo e ao Movimento Democrático de Moçambique (MDM), as quatro formações politicas que na quinta-feira chamaram a imprensa, faltando apenas três dias para o fim da campanha eleitoral de 45 dias, não têm nenhuma expressão na esfera politica nacional.

Todos eles foram rejeitados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) quando tentaram se candidatar para “entrar” na próxima legislatura da Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano. Um dos mais curiosos é a Frente Liberal. Semana passada, este partido, através do seu líder, Raul da Conceição, anunciou o seu apoio ao candidato Daviz Simango do MDM. Este anúncio foi tomado conjuntamente por um total de 25 formações políticas rejeitadas pela CNE. Quinta-feira, Raul da Conceição diz que a sua decisão tinha sido tomada de forma precipitada, antes de consultar a Comissão Politica Nacional do partido.

“Eu tinha decidido de forma emocional a apoiar o Daviz Simango, mas depois o órgão do partido decidiu apoiar Armando Guebuza”, disse Raul da Conceição, visivelmente pouco entusiasmado com a decisão do seu partido. “Eu posso não estar conformado com esta decisão, mas ela é do partido. Em democracia é assim mesmo, vence a maioria”, disse a fonte, sublinhando que o seu partido apenas apoia a candidatura de Armando Guebuza, sendo que, ao nível das legislaturas, este apela os eleitores para escolherem no partido com o melhor manifesto. Contrariamente a Frente Liberal, o PCD, partido rejeitado em seis círculos eleitorais, apoia tanto a Guebuza como a Frelimo.

Falando nesta conferência de imprensa, o presidente desta formação politica, Gonçalves Magagule, disse que esta decisão resulta de uma “parceria política e democrática” com a Frelimo. Por seu turno, o líder do Partido Social Democrático Independente, Marcelino Celestino Afonso, referiu que o voto desta formação politica a Armando Guebuza é para permitir o candidato da Frelimo a dar continuidade do desenvolvimento do país, desafio por ele iniciado em 2005. O UASPM, por sua vez, diz ter decidido apoiar a Guebuza após analisar os manifestos eleitorais dos três candidatos presidenciais (incluindo Afonso Dhlakama da Renamo), mas, ao nível das legislaturas, o seu “voto” vai para o Partido da Liberdade e Desenvolvimento (PLD).

Criado nas vésperas do fim das inscrições dos partidos políticos que disputam as eleições do próximo dia 28, o PLD é o maior candidato extra-parlamentar nestas eleições, uma vez que concorre em 10 dos 13 círculos eleitorais. Nessa qualidade, o PLD recebeu 1.5 milhão de Meticais (um dólar 27.4 meticais ao cambio do dia) do Estado para subsidiar a sua campanha eleitoral, mas em nenhum dos 10 círculos eleitorais se vislumbram membros deste partido envolvidos em actividades de “caça” ao voto.

Falando nesta conferência de imprensa, o presidente do UASPM, José Nhamuzinga, disse que a decisão deste partido em apoiar o PDL visa “acabar com a bipolarização” da AR, que desde a introdução do sistema monopartidário no país (em 1995) é dominado pela Frelimo, no poder, e Renamo, na oposição. Uma das perguntas colocadas pelos jornalistas tem a ver com o anúncio tardio deste apoio, quando apenas falta menos de uma semana para as eleições e há três dias do fim da campanha eleitoral.

Estes partidos dizem que ainda estavam a analisar os manifestos eleitorais dos candidatos, para evitar tomar decisões precipitadas. Por outro lado, eles afirmam que não esperam nenhuma retribuição particular da Frelimo e de Guebuza, em caso de vitória nas próximas eleições. “Se apoiamos a Armando Guebuza não é porque temos fome de dinheiro, não. É porque o manifesto dele vai ao encontro da realidade do país.

Se não decidimos isso antes é porque ainda estávamos a analisar os manifestos e a consultar as bases”, disse Nhamuzinga.

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