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Lucía Topolansky: muito mais que a primeira-dama do Uruguai

A ex-guerrilheira Lucía Topolansky, 65 anos, será obrigada a dividir-se entre as funções de primeira-dama do Uruguai e de senadora mais votada, o que a coloca na terceira linha de sucessão presidencial. No entanto, com fama de ‘dura’ e sumamente austera em sua imagem pessoal, Topolansky diz não ter ambições presidenciais.

“É uma mulher de muito caráter”, disse à AFP o analista Adolfo Garcé, autor do ensaio “Donde hubo fuego”, que estuda a inserção do Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros (MLN-T) no sistema político.

Em 2000, Topolansky chegou à Câmara de Deputados, e em 2005, ao Senado, como suplente de Mujica, que havia sido designado ministro das pecuária pelo presidente Tabaré Vázquez, no primeiro governo de esquerda da história do país. Topolansky, de 65 anos, apresenta-se, na posse de seu marido como presidente da Repúlica um terninho rosa e uma blusa bordada.

Em declarações à rádio El Espectador, Lucía Topolansky disse que não pretende competir com Michelle Obama: “Estou mais na linha de (Michelle) Bachelet e (Angela) Merkel”. “Se você analisar Bachelet, vê uma mulher que, em quatro anos de governo, demonstrou uma presença correta e sóbria. Merkel, ainda mais”, disse ela que, na juventude, foi considerada “uma beleza”, segundo vários de seus companheiros de armas. “Aos 20 anos, tinha os cabelos longos e gostava de minissaia.

Depois, provavelmente, por causa dos longos anos de cárcere, que decantam tudo o que é superficial do trascendental, a gente aprende a viver como diz (o poeta espanhol Antonio) Machado: leve, quase nu”, disse Topolansky em entrevista ao jornal argentino La Nación.

Nascida de uma família de classe média alta, educada no colégio do Sagrado Coração das Irmãs Dominicanas, abandonou a carreira de arquitetura e, em 1969. uniu-se ao MLN-T, a guerrilha que buscou desmontar o Estado “burguês” pela luta armada. Com pouco mais de 20 anos, usava um fuzil. Em 1970, foi detida, conseguindo fugir poucos meses depois pelos esgotos, junto com outras 48 presas.

Em 1972, ano em que o MLN-T foi derrotado militarmente, voltou para trás das grades. Permaneceu 13 anos presa, até sua libertação, em seguida à restauração democrática depois da ditadura (1973-1985). Vive com o marido de forma austera numa chácara de Rincón del Cerro, na periferia oeste de Montevidéu.

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