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Negócio na rua corre melhor do que nas livrarias

Perante o elevado preço dos livros nas lojas de venda deste produto muitos moçambicanos sentem necessidade de adquiri-los na rua a um preço quatro ou cinco vezes inferior. Assim a venda de livros nos passeios sustenta não só largas famílias como garante a formação de muitos estudantes.

A venda de livros nos passeios é uma prática muito comum no nosso país, sobretudo na capital do mesmo, aliás, não é por acaso que o número de vendedores tende a crescer cada vez mais. Carlitos José Mapo, jovem solteiro de 20 anos, natural da província de Zambézia, reside no bairro Maxaquene C e vende livros na Avenida Eduardo Mondlane, junto ao Ministério da Saúde. Mapo veio para Maputo a convite da irmã mais velha que há anos foi desafi ada para o serviço doméstico na capital quando os patrões se mudaram para Maputo. Mapo começou então a vender livros. Mapo vive exclusivamente da venda de livros, pagando com o dinheiro desse rendimento a renda do quarto, a alimentação e os estudos – frequenta a 9ª classe do curso nocturno. Mapo não compra a maior parte dos livros que vende. “As pessoas dão-mos depois de lerem.” O preço varia muito. Mensalmente conseguer cerca de 3 mil meticais, mas já houve dias em que ganhou tão pouco que a irmã teve que ajudá-lo nas despesas da casa. Este negócio não paga impostos ao Conselho Municipal, “mas os polícias municipais aparecem regularmente para recolher os livros como se fossem deles. Quando aparecem dizem que devemos pagar- lhes 500 ou 1000 meticais para continuarmos a vender”, explica. “No mês passado, numa sexta-feira, 5 polícias municipais vieram recolher todos os livros que tinha.” Mesmo assim, Mapo acredita que nunca abandonará os estudos porque sonha, no futuro, ser professor ou jornalista. A terminar Mapo deixa um conselho: “Gostaria que os jovens que se perdem na bandidagem fi zessem o que eu faço. Acho que sou um bom exemplo de resistência às tentações do lado negativo da vida.” Carlos Artur, de 40 anos, Santos José Morla, de 29 e José Artur, também de 29 anos. Estes primos naturais da Zambézia são igualmente vendedores de livros e dividem o dinheiro ao fi m do dia. Para eles, este negócio garante o sustento quotidiano das suas famílias. “Temos fornecedores de livros permanentes. Arranjamnos livros e trazem-nos. Estamos neste negócio há 8 anos, é assim que vivemos. O nosso grande problema é a polícia municipal que regularmente vem recolher o produto alegando que estes empecilham o passeio e que não se deve vender nas ruas,” explicam os entrevistados. “O passeio é o melhor sítio para a venda porque é onde passam estudantes.” Agnaldo Rocha Muchauari, de 23 anos, natural da Beira, também vende livros e conta que os políciais municipais, em três dias, já lhe arrancaram sete caixas de mercadoria. Em seu entender esta é uma actividade que ajuda muitos cidadãos, na medida em que na rua os livros não são caros como nas livrarias, dando como exemplo o Código do Processo Penal que vende por mil meticais enquanto nas livrarias é vendido por 3 mil. Muchauari confessa desconhecer o seu futuro mas enquanto não haver outro emprego, este é, seguramente, o seu. Só apela aos polícias municipais que não atrapalhem a vida dos que nada têm.

 

Muito úteis para estudantes

Paulo Macuácua, de 34 anos, actualmente a exercer as funções de gestor comercial num banco, afi rma que os livros de rua auxiliaram-no muito na sua carreira de estudante universitário. Este profi ssional conta que o ensino superior exige muita aplicação em termos de materiais didácticos e por isso teve que comprar a maior parte dos manuais na rua. “O mercado ofi cial é carríssimo. “Um livro que se compra por 200 meticais na rua, na livraria vende-se a 800 meticais. O que importa é o conteúdo que nele existe.” Uma cidadã, que preferiu o anonimato, acredita que o mercado informal deveria merecer mais respeito e consideração para que melhore cada vez mais. Ela não vê porque razão as pessoas acham que este mercado deve ser banido. “Se se fi zer um estudo, chegaremos à conclusão de que a maioria da população consome produtos do mercado informal.” 

 

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