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Liderança moçambicana envolvida com o narcotráfico

Em pleno dia mundial consagrado à luta contra a corrupção, Moçambique foi colhido por uma barragem noticiosa de escala mundial dando conta de que os líderes do país, “ao mais alto nível”, estão comprometidos com o narcotráfico, citando telegramas confidenciais da embaixada norte-americana em Maputo, divulgados pelo portal WikiLeaks.

 

 

Este portal nem deixa margens para dúvidas e nomeia, exactamente, o actual incumbente, Armando Emílio Guebuza, e o seu antecessor, Joaquim Alberto Chissano.

Até ao fecho da presente edição, tanto Guebuza como Chissano não haviam comentado as notícias do WikiLeaks. Também o Primeiro-Ministro moçambicano, Aires Ali, negou-se a comentar os telegramas da embaixada dos Estados Unidos em Maputo que ligam o poder político em Moçambique ao narcotráfico.

Questionado no Parlamento pelos jornalistas, o Primeiro-Ministro disse que essa seria uma questão a colocar à embaixada dos Estados Unidos, acrescentando que o Governo não tem “nada a comentar”.

Aires Ali disse que o relacionamento com os Estados Unidos da América é “excelente” e que se há algum problema os jornalistas devem perguntar à embaixada norte-americana.

Moçambique é o “número dois”

Após a Guiné-Bissau, Moçambique tornou-se “o segundo lugar africano mais activo para a actividade dos traficantes de droga”, relatou num telegrama em Setembro de 2009 o representante diplomático da Embaixada dos Estados Unidos na capital moçambicana.

O narcotráfico é dirigido por dois moçambicanos de ascendência asiática, Mohamed Bachir Suleiman, conhecido como MBS (já rotulado barão da droga pelo Departamento de Estado dos EUA), e Ghulam Rassul Moti, cujas actividades eram impossíveis sem a cumplicidade ao mais alto nível do Estado, segundo a correspondência diplomática. “MBS tem ligações directas com o Presidente Armando Guebuza e o antigo presidente Joaquim Chissano”, revela uma mensagem de 28 de Setembro de 2009.

O documento adianta que “MBS contribuiu fortemente para encher os cofres da FRELIMO (partido no poder) e forneceu um apoio financeiro significativo às campanhas eleitorais” de Guebuza e Chissano.

O representante diplomático norte-americano refere ainda que “a gestão do porto de Nacala, infelizmente conhecido por permitir o transbordo da droga proveniente do Sudeste asiático, foi recentemente atribuída a Celso Correia, presidente da sociedade Insitec, sociedade sombra do (presidente) Guebuza”.

A cocaína chega “por avião a Maputo desde o Brasil”. Já o haxixe e a heroína chegam, por via marítima, do Paquistão, do Afeganistão e da Índia, detalha um outro telegrama, de 17 de Novembro de 2009. A droga tem como destino o mercado sul-africano ou europeu.

Moti comenta

Quem não perdeu tempo a reagir foi o empresário Ghulam Rassul Moti. Simplesmente desmentiu tudo o que o portal WikiLeaks veiculou, rotulando as matérias de infundadas.

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