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Líder de Burkina Fasso diz que vai entregar o poder ao governo de transição

O presidente interino de Burkina Fasso, Isaac Zida, disse, esta segunda-feira (3), que o Exército vai rapidamente ceder o poder para um governo de transição encabeçado por um líder definido por consenso, numa tentativa de responder às acusações de que ele usurpou o poder num golpe militar.

O presidente que controlou o país durante vários anos Blaise Compaoré renunciou depois de dois dias de protestos desencadeados pela sua tentativa de estender o seu mandato por meio de uma emenda à Constituição.

No sábado, o Exército apontou o tenente-coronel Zida como chefe de Estado interino, numa decisão criticada pelos políticos na oposição, pela União Africana e pelas potências Ocidentais que pedem o retorno a um governo civil.

“O nosso entendimento é que o Poder Executivo seja dirigido por um governo de transição, mas dentro de um quadro constitucional que vamos estar atentos”, disse Zida num encontro com diplomatas e jornalistas na capital, Ouagadougou, sem dar prazos para a mudança. “Não estamos aqui para usurpar o poder, sentar e dirigir o país, mas para ajudar o país a sair desta situação”, acrescentou.

O anúncio aconteceu depois de uma série de reuniões de crise no domingo entre Zida e líderes da oposição depois de milhares terem se reunido para manifestarem-se contra a nomeação dele no Place de la Nation, cenário de protestos violentos na semana passada nos quais o Parlamento foi incendiado.

Segundo a Constituição do país da África Ocidental, o presidente da Câmara dos Deputados deveria assumir a Presidência em caso de renúncia do mandatário, com a missão de organizar novas eleições em até 90 dias. Contudo, o presidente da Câmara já teria deixado o país, junto com outros dirigentes do regime de Compaoré.

O próprio Compaoré chegou na vizinha Costa do Marfim no sábado, segundo confirmou o governo do país. Ainda no domingo, o Exército abriu fogo contra os manifestantes que ficaram na sede da televisão estatal em antecipação ao anúncio de um novo líder. Um manifestante foi morto.

A situação era de calmaria nesta segunda-feira, com os bancos a reabrirem e o trânsito a voltar a encher as ruas empoeiradas da capital. Um toque de recolher noturno segue estabelecido. A nomeação de Zida marca a sétima vez que um militar assumiu o poder como chefe de Estado em Burkina Fasso desde que o país ganhou independência da França em 1960.

Benewende Stanislas Sankara, membro do partido de oposição UNIR/MS, demonstrou preocupação com o papel do Exército em supervisionar o governo. “Ninguém pode colocar a sua confiança no Exército. Mas, agora, as autoridades militares no poder parecem estar a agir de boa fé”, disse ele.

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