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Líbios relatam “inferno” na cidade de Misrata

As forças leais ao líder líbio Muammar Khadafi estão a promover um “massacre” na cidade sitiada de Misrata, contaram na segunda-feira líbios que foram retirados do município. Entretanto a Turquia anunciou que tenta promover um cessar-fogo para pôr fim ao derramamento de sangue. Com a Líbia mergulhada no caos enquanto as tropas de Khadafi combatem os manifestantes populares, uma autoridade na vizinha Argélia disse que a Al Qaeda está aproveitando o conflito para adquirir armas, incluindo mísseis terra-ar, e levando-as para um reduto no Mali.

Pessoas que foram retiradas de Misrata descreveram a cidade como um inferno, com as forças de Khaddafi usando tanques e atiradores contra os moradores, infestando as ruas com corpos e enchendo os hospitais de feridos. “Você tem de visitar Misrata para ver o massacre do Khaddafi”, disse o engenheiro Omar Boubaker, de 40 anos, ferido a bala na perna e levado ao porto tunisiano de Sfax por um grupo francês de ajuda humanitária. “Os corpos estão na rua. Os hospitais estão a transbordar.”

Misrata, a última cidade importante controlada por rebeldes no oeste da Líbia, manifestou-se contra Khaddafi em meados de fevereiro, juntamente com outras cidades, e agora está sob ataque das tropas do governo. “Eu posso viver ou morrer, mas penso na minha família e nos amigos que estão presos no inferno de Misrata”, disse aos prantos Abdullah Lacheeb, com ferimentos graves na pélvis e no estômago, e uma ferida a bala na perna. “Imagine, eles usam tanques contra civis. Ele (Khaddafi) está preparado para matar a todos lá…Penso na minha família.”

O impasse no front do leste da Líbia, as deserções do círculo de Khaddafi e o sofrimento dos civis atingidos pelo confronto, ou enfrentando falta de comida e combustível, provocaram uma grande mobilização diplomática para tentar encerrar a guerra civil.

A Turquia anunciou que tenta promover um cessar-fogo e um enviado do governo de Gaddafi chegou a Ancara, a partir de Atenas. “A Turquia continuará a fazer o máximo para acabar com o sofrimento e contribuir no processo de produzir um mapa do caminho que inclua as exigências políticas do povo líbio”, disse o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, depois da chegada do vice-ministro das Relações Exteriores Abdelati Obeidi.

A Turquia também está em contato com o Conselho Nacional, da oposição, e espera que seus representantes visitem Ancara “nos próximos dias”, disse Davutoglu, numa entrevista coletiva. Um funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Turquia disse que os dois lados “comunicaram que têm algumas opiniões sobre um possível cessar-fogo”.

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