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Líbia, Operação Odisseia Amanhecer – Khadafi não é o alvo

Líbia

Os Estados Unidos afirmaram este domingo que os ataques da coligação contra defesas aéreas da Líbia nos últimos dois dias tiveram sucesso em paralisar as atividades das forças leais ao ditador do país, Muammar Khadafi. O Pentágono também questionou o novo cessar-fogo declarado pelas forças do país do norte da África e disseram que as forças ocidentais “não estão atrás” do líder líbio.

O vice-almirante Bill Gortney, diretor do Estado Maior Conjunto do Exército dos EUA, afirmou a jornalistas que não houve atividade aérea ou emissões de radar por parte da Líbia e que tem havido uma diminuição significativa na vigilância aérea do país devido à operação. Segundo Gortney, o Pentágono questiona todas as declarações do governo de Khadafi, incluindo a sua alegação de que iria aderir a um novo cessar-fogo. Até agora o Pentágono não registrou nenhuma perda de aeronaves nos ataques da coligação contra as tropas terrestres da Líbia nem mortes de civis, afirmou Gortney.

O vice-almirante Bill Gortney, diretor do Estado Maior Conjunto do Exército dos EUA, em coletiva no Pentágono O vice-almirante afirmou ainda que a coligação que age contra Khadafi, inicialmente formada por EUA, Grã-Bretanha, França, Itália e Canadá, foi ampliada para incluir Bélgica e Catar.

Já o secretário de Defesa americano, Robert Gates, afirmou que seria “insensato” matar Khadafi na operação militar da coalizão internacional que, desde sábado, ataca alvos estratégicos no país do norte da África. “Creio ser importante que operemos no marco do mandato da resolução do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas]”, afirmou. “Se começamos a adicionar objetivos, creio que geraremos outro problema”, falou a jornalistas dentro do avião que o leva à Rússia. “Creio ser insensato colocar metas que não se sabe se poderão ser alcançadas.”

Ataques

Mais cedo, as forças leais a Khadafi, lançaram uma ofensiva contra a cidade de Misrata, a terceira maior do país e dominada por rebeldes da oposição. Ontem, Misrata foi um dos alvos do ataque das forças ocidentais, que bombardearam as forças de Khadafi perto de Benghazi (leste) e cerca de 20 alvos do sistema integrado de defesa aérea.

Um morador da região, que se identificou apenas como Sami, disse que duas pessoas foram mortas por franco-atiradores. “Eles (os franco-atiradores) ainda estão nos telhados. Eles estão a ser apoiados por quatro tanques que estão a patrulhar a cidade. Está a ficar muito difícil para as pessoas saírem.” Sami disse que as forças de Khadafi possuem ainda barcos a cercarem o porto e impedindo que a ajuda chegue até a cidade.

Abdelbasset, um porta-voz dos rebeldes em Misrata, confirmou os combates à agência de notícias Reuters. “Os seus tanques estão no centro de Misrata […] são tantas vítimas que não podemos contá-las.”

A rede de TV Al Jazeera relata que vários carros de combate das forças governistas ocuparam o centro de Misrata. Abdel Basset Abou Marzouk, nomeado porta-voz dos jovens da revolução de 17 de fevereiro, disse que as forças pró-Khadafi lançaram projéteis de grande calibre para dar cobertura aos blindados. “As tropas de Khadafi utilizam a estratégia da terra queimada, destruindo tudo o que encontram em sua passagem”, afirmou o porta-voz.

Há dias a cidade de Misrata é palco de intensos combates entre as tropas leais a Khadafi, que buscam tomar a vila, e as forças populares que controlam a localidade. Até este domingo, contudo, as forças rebeldes tinham conseguido mantê-los fora do centro de Misrata.

Num discurso feito na sexta-feira (18), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nomeou Misrata como uma das cidades das quais Khadafi deve retirar-se para evitar a intervenção militar internacional, que começou no sábado.

No meio dos esforços de Khadafi para retomar controle do leste do país, os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra a Líbia, na segunda fase da operação militar dos aliados. A operação internacional visa a proteger os civis líbios das forças do ditador MuammarKhadafi e impor uma zona de restrição aérea no país. A informação foi confirmada pelo comandante das Forças Armadas dos Estados Unidos, almirante Michael Mullen, em entrevista à rede de TV CNN. Ele não deu mais detalhes.

Um oficial das forças líbias disse à agência de notícias Reuters que as forças ocidentais bombardearam a base aérea de Al Watyah, 170 km a leste de Trípoli. Mais cedo, o canal CBS afirmou que três bombardeiros furtivos americanos US B-2 lançaram 40 bombas contra um importante aeroporto líbio, em esforço para destruir a Força Aérea de Khadafi.

Um porta-voz do Comando África dos Estados Unidos (Africom), citado pela agência France Presse, disse que ao menos 19 aviões americanos, entre eles três bombardeiros furtivos B2 (‘Stealth bomber’), atacaram alvos na Líbia no amanhecer de domingo. O bombardeio foi executado por “três B2 da Força Aérea americana, assim como por aviões F15 e F16 da Força Aérea, e por um AV8-B Harrier do corpo de marines”, declarou o porta-voz Kenneth Fidler, de Stuttgart (Alemanha).

Mais cedo, Mullen afirmou que a primeira fase da operação foi bem-sucedida, instaurando a zona de restrição aérea na Líbia e impedindo a ofensiva das tropas do ditador Khadafi contra o reduto rebelde de Benghazi, no leste do país. As forças de Khadafi “já não marcham sobre Benghazi”, disse Mullen, em entrevista ao programa “This Week”, da americana ABC, horas após a primeira fase da operação ser confirmada pelo Pentágono. Ele afirmou ainda que a zona de restrição aérea está “efetivamente aplicada” na Líbia.

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