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EDITORIAL – Líbia: Entre a Bela (Democracia) e o Monstro (Khadafi)

Muammar Khadafi poderá ser o ‘senhor que se segue’ – leia-se a ser derrubado – neste começo louco da segunda década do século XXI. Depois de Ben Ali na Tunísia e de Hosni Mubarak no Egipto, o ditador líbio está acossado por todos os lados, tendo já, no momento em que escrevo, quarta-feira à noite, perdido o controlo de grande parte do território, onde se inclui a cidade de Bengashi, a segunda maior do país.

Para já, o número de mortos na Líbia supera largamente o das outras revoltas, contabilizando-se já perto de mil vítimas – há ONG’s que falam em mais de duas mil – o que atendendo às populações – o Egipto possui 83 milhões de habitantes e a Líbia 6,5 milhões – a proporção de mortos na Líbia é assustadoramente superior.

Face aos meios que estão a ser utilizados no terreno, este elevadíssimo número de vítimas mortais não espanta. Khadafi , certamente muito perturbado com o que se passou nos vizinhos, entrou nitidamente a matar, tentando abafar quanto antes os revoltosos, ao mesmo tempo que pretendia desencorajar possíveis adesões.

Os meios que estão a ser utilizados são bem dissuasores: helicópteros e aviões de combate, snipers no topo dos edifícios e mercenários estrangeiros especialistas em contra-insurreição. As ordens são claras: atirar em tudo o que mexa.

Bem longe dos cassetetes, dos canhões de água e das balas de borracha utilizados na Tunísia e no Egipto. A comunidade internacional reagiu tarde ao massacre mas já disse que a morte indiscriminada de civis era um crime monstruoso.

Nesta altura do campeonato, os líbios têm perfeita consciência que ou é agora ou a queda do regime muito dificilmente será uma realidade nos próximos anos.

Ou entram na onda libertária da vizinhança e apanham a carreirinha que os livrará da ditadura psicopata do ‘Guia da Revolução’ ou conhecerão uma repressão bem pior do que a verifi cada no Iraque após a primeira guerra do Golfo, em 1991. Se Khadafi sobreviver a tudo isto seguir-se-á um massacre colectivo do povo líbio.

Disso ninguém tenha dúvidas, basta ver a forma como ele discursou na televisão estatal no início desta semana chamando ratazanas aos revoltosos, ao mesmo tempo que decretava a pena de morte para todos os envolvidos nas manifestações.

Como exemplos de controlo de protestos falou de Tienamen, explicando que os tanques de Deng Xiaoping salvaram a unidade da China valendo bem mais do que a vida dessa gente que se manifestava; do bombardeamento de Falloujah no Iraque em 2004; e da reconquista, por ele próprio, da cidade de Darna aos sunitas o que custou a vida a seis mil civis. Agora, mais do que nunca, o povo líbio terá que ser estóico. Esperemos que, para o bem de todos – líbios e Mundo –, consiga ser

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