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Khadafi desafia coligação internacional com novos ataques no Oeste do país

A operação militar das forças internacionais poderá “parar a qualquer momento” se Khadafi respeitar um cessar-fogo, disse o chefe da diplomacia francesa, Alain Juppé. Mas no terreno as forças do coronel intensificaram os combates no Oeste do país e estão a causar dezenas de vítimas civis. Ao quarto dia de operações da coligação internacional voltaram a ouvir-se explosões e disparos de antiaéreas em Trípoli.

Os estrondos das antiaéreas e fortes explosões ecoaram na capital líbia ao cair da noite, é assim desde sábado. Este foi o dia em que as forças de Khadafi perderam um comandante das forças do regime, Hussein El Warfali, noticiou a estação de televisão Al-Jazira. Em Trípoli ouviu-se primeiro uma grande explosão, depois dispararam as antiaéreas de Khadafi, começou mais uma noite de intervenção militar.

A operação das forças internacionais na Líbia já dura há quatro dias, mas a violência entre as forças de Muammar Khadafi e os revoltosos que pedem o fim do seu regime não dá sinais de abrandar.

Em Yefren, 130 quilómetros a Sul de Trípoli, os ataques de Khadafi causaram pelo menos 9 mortes, segundo habitantes citados pela AFP. E em Misurata, a terceira cidade do país, e a única a Oeste que a rebelião controla, a ofensiva do regime terá causado mais de 40 mortos, entre eles quatro crianças.

Khadafi prometeu um cessar-fogo, que aliás já foi anunciado por duas vezes, mas as informações que chegam da Líbia apontam para um aumento da repressão contra os rebeldes, a qual levou o Conselho de Segurança da ONU a aprovar uma resolução que prevê a aplicação de “todas as medidas necessárias” para travar os confrontos.

Em Yefren, a cerca de 130 quilómetros de Trípoli, os ataques das forças de Khadafi contra os rebeldes intensificaram-se nos últimos dois dias. “As forças de Khadafi retomaram uma ofensiva mortífera segunda e terça-feira na região. Os combates fizeram pelo menos 9 mortos em Yefren e muitos feridos”, disse à AFP um habitante desta cidade, que apelou à coligação internacional para intervir na região.

“Se não houver uma intervenção da coligação, o regime irá tomar rapidamente o controlo da cidade ao bombardear a região e perpetrar massacres”, adiantou.

Em Zenten também houve confrontos, mas na noite de ontem os rebeldes terão retomado o controlo da cidade. A electricidade foi cortada e muitas famílias tiveram de deixar as suas casas. Com a ajuda de um técnico militar que desertou, os rebeldes conseguiram destruir sete carros de combate e lança-mísseis das forças de Khadafi, adiantou a AFP.

“É a euforia em Zenten, os rebeldes fizeram recuar as forças de Khadafi. Não houve ataques da coligação nesta zona”, contou à agência francesa uma testemunha.

Em Misurata, no entanto, as forças de Khadafi procuram enfraquecer a posição dos rebeldes na parte Oeste do país. Hoje voltou a haver ataques, e se ontem responsáveis dos rebeldes já tinham falado em cerca de 40 mortos, agora soube-se que quatro das vítimas eram crianças. “A situação é catastrófica”, disse uma testemunha ao El País.

“Os tanques recomeçaram a lançar os seus obuses esta manhã e também há atiradores furtivos a participar na operação. Um carro onde iam crianças foi atingido e nenhuma tinha mais do que 13 anos”. As operações da coligação levaram as forças de Khadafi a tomar o centro da cidade e isso está a causar o que se pretendia evitar: vítimas civis.

As autoridades líbias acusam as forças da coligação de já terem causado “inúmeras vítimas” que nada têm a ver com os alvos militares ou do regime e garantem que houve ataques das forças internacionais em Trípoli, Zuara, Misurata e Sirte, nomeadamente contra aeroportos. Os rebeldes, por outro lado, denunciam a intensificação dos ataques em Bengasi, a primeira cidade tomada pelos opositores, e em Ajdabiya, no Leste.

Pilotos americanos foram resgatados

Um avião caça F-15 norte-americano despenhou-se durante os ataques da noite de ontem devido a uma falha mecânica, mas os dois pilotos a bordo foram resgatados e sofreram apenas ferimentos ligeiros.

Uma testemunha do acidente contou ao Daily Telegraph que um dos pilotos saiu de perto do avião com as mãos no ar a gritar “Ok, Ok”. Estaria assustado com o desastre e com a probabilidade de ser detido pelas forças de Khadafi. Mas Younis Amruni contou ao diário britânico que correu para lhe dar um abraço. “Não se assuste. Somos amigos”.

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