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Kenmare quer expandir área de exploração em Nampula mas população recusa por receio de ser enganada

Mais de dois mil habitantes do povoado de Nivacereca, no distrito de Larde, província de Nampula, está desavinda com a mineradora Kenmare, em virtude de esta firma pretender transferi-las das imediações do monte Philipi para dar lugar à expansão das suas actividades de exploração das areias pesadas. Os afectados recusam devido ao receio de perder vantagem a favor do interessado, à semelhança do que tem acontecido noutras comunidades moçambicanas.

A área cobiçada pela Kenmare abrange, para além daquela montanha, três bairros, designadamente Nthiticima, Thipane e uma parte de Topuito.

As comunidades recusam ser deslocadas daquela região alegadamente porque, no passado, a companhia em alusão não cumpriu as promessas feitas à população de Topuito, também reassentada no âmbito do mesmo projecto, nomeadamente a construção de residências, abertura de furos de água, expansão da rede eléctrica, melhoria das vias de acesso às vilas-sede dos distritos de Larde e Moma, alocacão de fundos para programas de rendimentos, entre outras.

Joaquim Selemane, um dos moradores influentes na região, disse ao @Verdade que a população só poderá ser transferida para outra zona depois de ver implementado cabalmente o plano de reassentamento. E exige vias de acesso, escolas, energia eléctrica, centro de saúde, instalação de meios rentáveis de sobrevivência.

“A nossa população nunca beneficiou de nada resultante da exploração dos seus recursos”, pese embora a lei imponha o contrário. Joaquim acusa a mineradora de “nunca cumprir as suas promessas, por isso, a nossa transferência só pode acontecer depois de todos os acordos serem implementado”.

O desacordo entre a comunidade de Nivacereca, que recusa sair do monte Philipi, arrasta-se desde Fevereiro do ano em curso. A situação forçou a criação de uma comissão multisectorial composta por funcionários da Direcção Provincial dos Recursos Mineirais e Energia em Nampula, quadros da Kenmare, Direcção provincial de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, membros da sociedade civil que actuam na áreas do ambiente e terra, líderes comunitários, governos de Moma e Larde e membros da Assembleia Provincial de Nampula.

Devido à insistência da Kenmare em explorar a zona, a população de Nivacereca enviou um abaixado assinado ao governador de Nampula, Victor Borges, manifestando total relutância em ceder as suas terras, e alega que a empresa não cumpre o que promete.

Face a este problema, o director provincial dos Recursos Minerais e Energia em Nampula, Olavo Deniasse, explicou que a comissão criada ainda está a trabalhar no caso para que ninguém fique prejudicado.

Já a Kenmare, que há dias despediu mais de 150 trabalhadores por suposta queda de preços de minérios (Rotilo, iliminite e Zircão) no mercado internacional, optou por não dar a sua versão dos factos, prometendo fazê-lo em tempo oportuno.

Enquanto isso, as reuniões da referida comissão decorrem de forma secreta e longe da imprensa, alegadamente para não perturbar o processo e evitar especulações, segundo apurámos.

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