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Kenmare destrói machambas contra vontade da população em Moma

A multinacional Kenmare encontra-se a destruir machambas das comunidades de Topuitho, Naholokho e Namalope, posto administrativo de Larde, no distrito de Moma, na província de Nampula, para dar lugar à segunda fase do projecto de extracção das areias pesadas.

As acções estão a decorrer sem o consentimento dos proprietários das plantações, nas quais dezenas de famílias produzem alimentos para o seu sustento. E não há nenhuma indemnização.

Informações em poder do @Verdade indicam que, neste momento, já foram destruídos perto de 150 hectares de machambas com culturas diversas, tais como mandioca, feijões, hortícolas, fruteiras. Face à situação, a população está revoltada e tentou, sem sucesso, impedir a acção da Kenmare. O desiderato dos lesados foi abortado porque a empresa, em coordenação com autoridades governamentais, mobilizou um contingente da Força de Intervenção Rápida (FIR) e um grupo de militares.

António Luís, residente na localidade de Topuitho, disse que perdeu mais de 50 coqueiros, 15 cajueiros, metade de hectare de mandioca e um número não especificado de fruteiras.

“Fomos explicados que o governo já negociou com a Kenmare para tomar as nossas machambas no sentido de a firma realizar as suas actividades e a população não devia reclamar por isso”.

Há zonas da localidade de Topuitho, de acordo com o interlocutor, onde as pessoas foram desalojadas em consequência da destrução das suas habitações, inclusive cemitérios e locais de cultos tradicionais.

Juma Artur, residente da localidade de Namalope, afirmou que momentos antes da destruição da sua machamba foi ameaçado pelos agentes da FIR que escoltaram alguns funcionários da Kenmare e membros do governo no distrito de Moma.

O administrador de Moma, Chale Araújo, negou pronunciar-se alegadamente porque não sabia nada sobre a destruição de machambas e porque, também, encontrava-se na província de Cabo Delgado.

Entretanto, fontes ligadas à empresa informaram que o administrador daquele distrito esteve reunido com a direcção da Kenmare para se inteirar da confusão que instalada nas zonas afectadas.

Tentativas de ouvir a direcção da Kenmare redundaram num fracasso dada a indisponibilidade da empresa para falar sobre o assunto que agita as comunidades de Topuitho, Naholokho e Namalope.

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