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Kayum Electronics maltrata trabalhadores e viola seus direitos

Em Agosto do ano em curso, os trabalhadores de vários estabelecimentos comerciais do Grupo Momade Bachir Sulemane (MBS), actualmente designado por Kayum Electronics, nas cidades de Maputo e da Matola, observaram uma greve em repúdio aos maus trados a que são sistematicamente sujeitos e violação dos seus direitos. Volvidos três meses, na manhã desta segunda-feira (25) abandonaram novamente os seus postos de trabalho para manifestarem, publicamente, o seu agastamento em relação às precárias condições laborais impostas pelo patronato.

O grupo diz que é vítima de actos de racismo, escravidão, sobrecarga horária, tratamento desumano, salários insignificantes, falta de subsídio de funeral, descontos nos seus vencimentos mas que não são canalizados ao Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), impedimento para gozar férias, fixação de salário através da raça, falta de material de trabalho, dentre outros males.

Carlos Zualo, de 43 anos de idade, residente no bairro Nkobe, no município da Matola, é pai de seis filhos e aufere 3.830 meticais. Ele Trabalha na Kayum Electronics há 21 anos, tempo durante o qual sofre por causa das condições de trabalho acima referidas. S

egundo Carlos Zualo, os problemas de que ele os colegas se queixam são antigos e a primeira greve de repúdio aconteceu em 2003. Entretanto, desde esse tempo a esta parte, ainda não houve melhorias porque o patronato sempre mostrou-se desinteressado em resolver as inquietações ora levantadas. Volvidos 10 anos de injustiçados, os proprietários da Kayum Electronics estão cada vez mais ricos mas vida dos trabalhadores tende a piorar e, por conseguinte, as suas famílias cada vez mais pobres.

Com o que ganha no fim do mês, Carlos Zualo não consegue satisfazer as necessidades básicas dos seus dependentes. Não chega nem para alimentação e transporte durante um mês. Porém, para assegurar que a família não se queixe tanto de fome, recorre a pequenos biscates para poder ter algum dinheiro extra. Este interlocutor considera que o seu futuro é incerto porque não vai ter direito à reforma e em caso de expulso injustamente nem terá indemnização.

José Miguel, de 23 anos de idade, também residente na Matola “A”, é pai de um filho, recebe 3.830 meticais. Há sete anos está naquele estabelecimento comercial, o que significa começou a trabalhar com 16 anos de idade, fora da idade estipulada para o efeito.

O nosso entrevistado é coagido a trabalhar 12horas por dia, contra as oito horas estatuída na Lei do Trabalho em vigor no país. Ele não tem direito à assistência médica e medicamentosa, não tem fardamento e o seu ofício é feito em condições totalmente indignas.

O mais grave, de acordo com José Miguel, é que o patronato não assume qualquer tipo de responsabilidade em caso de acidentes registados no local de trabalho. O nosso interlocutor afirmou que por várias vezes o patronato corrompeu a Polícia para intimidar os trabalhadores para não reivindicarem o cumprimento dos seus direitos.

Carlos Cossa, de 54 anos de idade, vive no bairro da Machava-Socimol, também na Matola. Ele é pai de sete filhos, os quais dependem de um salário de 3.830 meticais, um valor que só cobre duas semanas das necessidades básicas da sua família.

Carlos Cossa trabalha na Kayum Electronics há 16 anos e nunca gozou férias nem foi pago por isso. A empresa nunca lhe pagou também as horas extras em dívida e quando reclama é ameaçado de expulsão.

Manés Abistros, de 42 anos de idade, reside no bairro do Aeroporto, em Maputo, é pai de quatro filhos e trabalha como segurança da Kayum Electronics, há 12 anos. Fazer parte daquele estabelecimento comercial é um autêntico martírio. Em caso de doença ele é obrigado a estar no seu posto e se não obedecer é-lhe descontado o salário.

Refira-se que quando a nossa Reportagem se retirou do local da greve, o Comité Sindical dos Trabalhadores da Kayum Electronics encontrava-se reunido com o patronato sob mediação da Direcção do Trabalho da Cidade de Maputo com o intuito de se ultrapassar o diferendo entre as partes.

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