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Kanye Kanye marcou arranque do KUGOMA

Cenas que marcaram a história da África do Sul no tempo segregacionista deram início ao Fórum de Cinema de Curta-Metragem, KUGOMA, que decorre na cidade de Maputo desde a passada quinta-feira (17) até ao próximo Domingo (27).

São lembranças que valem a pena reactualizar, e, através delas, mudar o ambiente de desavenças que existe entre os povos africanos e do mundo. No entanto – se ligarmos a história à actual situação do nosso país – o filme “Kanye Kanye” ou mesmo “A Linha”, do realizador sul-africano, Miklas Manneke, ilustra, para além do apartheid que se viveu no país do rand, a exclusão social e o tribalismo.

A história rola em torno de dois personagens, sócios de uma empresa de gelatina feita a base de maçã, numa das cidades da África do Sul. Quando o drama começou os dois tinham os mesmos sonhos e os mesmos propósitos: fortificar as relações de amizades e desenvolver, sem sobressaltos, as suas actividades.

No entanto, volvidos algum tempo, decidem escolher uma maçã, entre as cores verde e vermelha, para rotular a marca do seu produto. A ideia foi bem vida, mas, com o andar do tempo, não passou de uma maldição que aniquilou o cordão que lhes ligava, pois um acreditava que a melhor seria vermelha e outro, opondo-se, apostava na verde.

Entretanto, a pois vários momentos de discussão e, lamentavelmente, sem consenso, decidiram separar a cidade em duas partes – verde e vermelha – estabelecendo-se, deste modo, uma linha separadora – a “Kanye Kanye”.

Trata-se de uma decisão peculiar que, não obstante, gerou separação obrigatória entre os povos e, consequentemente, impôs certas condições para as suas vidas: ter que alimentar-se, vestir-se, pintar as suas casas somente com o verde para quem pertencia a região “imatura”, e vermelho para quem era do encarnado.

De acordo com Diana Manhiça, coordenadora do KUGOMA, “Kanye Kanye” é uma metáfora que, logo a vista, nos conduz ao racismo. “Esse problema que não é só enfrentado pelos sul-africanos, mas, hoje, também pelos povos de todo o mundo, no geral e moçambicanos, em particular”.

Refira-se que, “Kanye Kanye” é primeiro trabalho do autor.

 

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