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‘@Verdade Convidada: Kadhafi visto por “Idi”

Ndjamena, sexta-feira 18 de Março. Imediatamente após o Conselho de Segurança da ONU declarar guerra à Líbia, a capital chadiana acordou sob um sol escaldante. Encontro-me alojado no Libya Hotel que pertence à holding líbia Laico. Num estaleiro vizinho, onde a mesma Laico constrói um aparthotel, os capatazes elevam os punhos à nossa passagem.

A mesma cena repete-se diante da Universidade árabe socialista e popular de Sebha, toda envolta de verde. Deste modo, os líbios do Chade parecem prontos a seguir o seu “Guia”, mesmo sob os escombros.

E os cerca de 600 mil chadianos da Líbia? Isso é outra história. Em Ndjamena, onde se nega a existência de uma rede organizada de recrutamento de mercenários, não se exclui que algumas centenas destes imigrantes pudessem servir de soldados de infortúnio ao regime crepuscular de Kadhafi : “O que é que nós podemos fazer…”, suspira um elemento próximo do chefe do Estado. Idriss Déby Itno conhece bem a Líbia e o seu coronel. Combateu- os ferozmente há mais de 20 anos, entre Ennedi e Tibesti, e depois tornou-se amigo de Kadhafi .

Desde o início da crise que os dois chefes de Estado falam diariamente ao telefone. Recebendo a “Jeune Afrique” num salão da presidência, “Idi” confi dência: “Dei um conselho a Kadhafi : Se quiseres sair vencedor, terás de mudar muita coisa. Dota o teu país de uma Constituição, autoriza a existência de partidos políticos, organiza eleições.”

Déby Itno não esconde que é hostil à intervenção militar liderada por Paris, Londres e Washington, porque a insurreição proveniente do leste é, para ele, uma rebelião armada:

“Não tenho nada contra as revoluções pacífi cas na Tunísia e no Egipto. Mas na Líbia os revoltosos pegaram em armas e quanto a isso a declaração de Argel é clara: o poder não poderá ser tomado pela força. E para mais, sei de fonte segura, que uma parte do arsenal pilhado pelos insurrectos encontra-se já nas mãos da Al-Qaïda no Magrebe islâmico, entre os quais os mísseis terra/ ar.”

Qualquer que seja a validade deste último argumento, próximo da retórica kadhafi ana, uma coisa é certa: exprimindo cada vez maiores reservas em relação a uma operação punitiva do Norte contra um país do Sul, Idriss Déby Itno traduz bem a opinião dos seus pares do continente, sempre alérgicos a ingerências externas.

Na verdade, o coronel faloulhe da sua ameaça de “revelar tudo”, a propósito de um suposto fi nanciamento da campanha de Nicolas Sarkozy em 2007? Um piscar de olhos, à laia de resposta que fará com que me explique mais tarde: Sim, Kadhafi contou-lhe bem como a outros. “Idi”, para quem Sarkozy também é um camarada, desaconselha-o a entrar por esse terreno minado. Resposta do “Guia”: “Prometo contar-lhe tudo. Vou contar tudo.” Ficamos então à espera…

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