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Jovem emir do Catar deve permanecer como excepção no Golfo

Os idosos governantes árabes do Golfo Pérsico rapidamente cumprimentaram o jovem emir do Catar por sua ascensão ao poder, esta Terça-feira (25), mas certamente não terão pressa em copiar a abdicação do pai dele.

A coroação do príncipe xeique Tamim, de 33 anos, contrasta com a situação de outros países da região, onde populações jovens são governadas por Reis ou príncipes na faixa dos 60 a 90 anos – alguns com sucessores na mesma faixa etária.

Desde o início das rebeliões da Primavera Árabe, em 2011, os países árabes do Golfo vêm se empenhando em oferecer mais empregos e serviços sociais, especialmente aos jovens, numa região onde quase um terço da população tem menos de 15 anos.

Mas a reverência pela idade e a visão do Catar como um país irrelevante e indomável tornam improvável que outras monarquias sigam o exemplo do emir-pai, que, Terça-feira, entregou o poder a Tamim elogiando as “ideias inovadoras e energias activas” da juventude.

“Esse passo não será repetido noutras partes do mundo árabe”, disse o cientista político Abdulkhaleq Abdulla, dos Emirados Árabes Unidos. “O que aconteceu no Catar será esquecido.” Os analistas também sugerem que a complexa política interna das famílias governantes, a qual muitas vezes envolve o equilíbrio entre linhas dinásticas rivais, tende a exaurir as energias de participantes mais velhos.

“As elites acomodam-se nos seus regimes e operações, na sua forma de pensar e de trabalhar”, disse Shafeeq Ghabra, professor de ciência política na Universidade do Kuweit. “Eles simplesmente permanecem durante décadas, até que as coisas se tornem problemáticas e as crises aconteçam.”

Em Omã, por exemplo, o sultão Qaboos bin Said, de 72 anos, governa há 43 anos e ainda não nomeou um sucessor. O emir do Kuweit, xeique Sabah al-Ahmed al-Sabah, de 84 anos, passou 40 como chanceler antes de ascender ao trono. No Bahrein, o poderoso xeique Khalifa bin Salman bin Khalifa, quase octogenário, é primeiro-ministro há quatro décadas. Tio do rei, ele defende uma rigorosa política de segurança interna.

Na Arábia Saudita, maior e mais poderoso país da região, a família Al Saud elevou cautelosamente príncipes mais jovens nos últimos dois anos, mas não dá sinais de que cogita lhes entregar as principais funções, como no Catar. Duas mortes de nobres desde 2011 levaram o rei Abdullah, que completa 90 anos em 2013, a aposentar alguns príncipes mais velhos e a promover parentes relativamente mais jovens a cargos importantes.

O príncipe Mohammed bin Nayef, de 53 anos, foi nomeado ministro do Interior em Novembro, e é agora o mais poderoso da sua geração – responsável inclusive pela infraestrutura de segurança do reino e pelos 13 governos provinciais.

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