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Jogos Africanos sem hino nem obras concluídas

Jogos Africanos sem hino nem obras concluídas

Hoje é o primeiro dia do mês de Julho. A vila olímpica, que está em construção ao lado do Estádio Nacional do Zimpeto, e que se destina ao alojamento dos atletas e técnicos participantes nos X Jogos Africanos de Maputo deveria ter sido entregue até ontem. Finais de Junho disseram os senhores do COJA, garantiram os empreiteiros… e os moçambicanos acreditaram.

O Presidente da República, Armando Guebuza, afirmou, na inauguração do estádio nacional do Zimpeto, que o desporto é gerador de uma dinâmica social e económica própria que se entrelaça com outros sectores da intervenção humana para contribuir para a produção de riqueza e criação do emprego. Isto é verdade e vemos acontecer todos os dias por este mundo fora. Só que nesta pátria onde faltam heróis contemporâneos isso não parece acontecer!

Como pode haver dinâmica social se não há divulgação dos Jogos nem dentro e muito menos fora de portas? Como eu, muitos moçambicanos não têm boas expectativas sobre o que vai acontecer a partir do dia 3 de Setembro. Poderá mesmo ser o dia do “juízo final”!

É, porventura, possível haver dinâmica económica se o produto não é bom? Ainda me recordo do dia em que com pouca pompa foi inaugurado o relógio oficial da contagem decrescente para os jogos e, para além da mascote que foi apresentada e desapareceu, também um vinho foi apresentado.

É, no mínimo, surrealista que num país que não produz uvas a bebida oficial dos seus jogos africanos seja o vinho. Quem escolheu o vinho? Porque não foi escolhida uma água que brota a rodos nas várias nascentes do nosso país e até é recomendável para os atletas, ao contrário do vinho?

O Chefe do Estado apela-nos para usarmos os Jogos Africanos para a reafirmação da moçambicanidade, a da nossa auto-estima mas pelos vistos ninguém se esmera na organização. Vamos receber os Jogos na nossa cidade capital sempre suja, com os crónicos problemas sobejamente conhecidos e até nos palcos dos jogos, onde estão a acontecer reabilitações, só se faz uma pequena maquilhagem.

Como é possível ter auto-estima quando se reabilitam os courts de ténis do jardim Tunduro e se esquece de tratar do jardim, que há vários anos se vai degradando perante o nosso olhar impávido e sereno? Então vamos receber os nossos visitantes e mostrar-lhes uma casa só de fachada?

Quando se tem a oportunidade de viajar – como os nossos governantes têm – e ver o que outros fizeram em ocasiões semelhantes – afinal não estamos a inventar os Jogos Africanos – é hilariante que se faça um concurso público para um hino dos Jogos Olímpicos de África. O resultado só poderia ser o que foi. Não haver temas de qualidade e ter-se perdido tempo, coisa que nunca tivemos para organizar estes Jogos.

Para fazer hinos contratam-se profissionais especializados, que o nosso país até tem – como bem nos lembramos das música de algumas marcas quem nem é preciso citar. Recordo-me da estranheza, e algum cepticismo, dos sul-africanos com o “waka waka” da Shakira mas o facto é que até hoje os miúdos cantam o refrão e as meninas bem tentam imitar o rebolar da colombiana.

O mais irónico é que estamos no ano em que o país celebra Samora Machel, recordado como fonte de inspiração e de força para construir um Moçambique melhor e, quando faltam 64 dias para o início dos Jogos, o país caminha a passos largos no caminho contrário.

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