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Japão começa a abrir valas comuns e a enterrar os mortos

Várias cidades japonesas estão a abrir valas comuns para enterrar centenas de mortos, numa altura em que o balanço mais recente dá conta de mais de 24 mil vítimas mortais e desaparecidos, depois do sismo e tsunami. De acordo com os números oficiais, citados pela estação de televisão japonesa NHK, 9452 pessoas morreram e 14.715 estão desaparecidas.

A provincial de Miyagi regista a maioria dos mortos confirmados, 5714. Nesta região ainda estão desaparecidas 5196 pessoas. Em Iwate estão confirmados 2904 mortos e 5028 desaparecidos. Na província de Fukushima morreram 776 pessoas e 4487 estão dadas como desaparecidas.

O número de vítimas obrigou o país a repensar a forma como trata os mortos. Vários municípios estão a abrir valas comuns, algo impensável para uma nação onde os mortos são, normalmente, cremados e as suas cinzas cuidadosamente colocadas perto de templos.

Mas os crematórios não conseguem dar resposta ao elevado número de corpos que recebem. Há falta de querosene e de gelo para preservar as vítimas que perderam a vida no sismo e tsunami.

Esta sexta-feira em Kamaishi, na provincial de Iwate, será realizado um enterro para 150 corpos não identificados numa vala comum.

“É uma medida especial, mas não há muito mais que possamos fazer”, comentou Kazuhiko Endo, funcionário do município. “Estes corpos já estão há mais de uma semana nas morgues e não sabemos se ainda poderão ser identificados”, acrescentou.

Apesar de muitas auto-estradas já estarem abertas ao trânsito, a falta de combustível impede muitos de resgatar e transportar os corpos dos seus familiares. “Ao início íamos cremar as vítimas mas depois começaram a surgir tantas… Queremos enterrá-las rapidamente”, disse Doyu Oheda, um monge a viver na cidade de Higashimatsushima, na província de Miyagi.

Terça-feira, aquela cidade enterrou dezenas de corpos numa vala comum, onde anteriormente ficava uma lixeira, enrolados em cobertores ou dentro de caixões de madeira. Esta vala tem capacidade para mil pessoas mas é temporária. Aqueles que ali foram enterrados estão registados e serão cremados no futuro.

Ofunato, em Iwate, espera cremar “tantos corpos quanto for possível”, disse Hideki Terasawa, responsável do município. “Temos dois crematórios que podem tratar 20 corpos por dia e já pedimos ajuda às unidades das cidades mais próximas”, acrescentou.

Mas a identificação dos corpos é tarefa difícil. “Há muitas pessoas que ainda não identificámos. A polícia está a recolher amostras de ADN e a armazená-las para que possamos identificar as pessoas mais tarde”, explicou.

A cidade de Kesennuma, no Nordeste do Japão, está a estudar os impactos que as valas comuns podem ter nos lençóis freáticos. “Os enterros são tão raros aqui que precisamos de encontrar um local apropriado para os fazer”, comentou Yoshio Osawa, funcionário do município.

Em Unosumai, em Iwate, os ginásios das escolas foram transformados em morgues, onde os corpos são limpos e envolvidos em lençóis brancos e alinhados no chão. Autocarros transportam os familiares de morgue para morgue, à procura dos entes queridos, enquanto escavadoras preparam um terreno por trás de um templo destruído para uma vala comum.

Pode ser difícil mas as autoridades nipónicas precisam garantir que os corpos venham a ser identificados, disse Francis Markus, da delegação em Tóquio da Federação da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho.

“Os corpos devem ser tratados de uma forma digna e as pessoas devem ter uma oportunidade para identificar os seus entes queridos”, lembrou.

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