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Islamistas do Mali são mais resistentes do que a França previa

Os confrontos iniciais das tropas francesas com militantes islâmicos no Mali têm mostrado que os combatentes do deserto são mais bem treinados e equipados do que a França tinha previsto antes da intervenção militar da semana passada, disseram os diplomatas franceses e de outros países na ONU.

A percepção de que a luta nas semanas – ou meses – à frente poderia ser mais sangrenta do que o previsto pode tornar os países ocidentais ainda mais relutantes em envolverem-se ao lado da França.

No entanto, as autoridades francesas esperam congregar os seus aliados na acção, dizem os diplomatas. “O custo do fracasso no Mali seria alto para todos, não apenas para o povo do Mali”, disse um diplomata africano, Quinta-feira.

Como os outros diplomatas, ele falou sob anonimato para discutir questões militares e diplomáticas sensíveis.

A captura de dezenas de pessoas na vizinha Argélia, onde as tropas argelinas lançaram uma operação militar para resgatar os reféns militantes islâmicos “obstinados” num complexo de exploração de gás no deserto, também levanta a possibilidade de que a violência dos radicais islâmicos possa transformar-se numa bola de neve para além das fronteiras do Mali.

Os diplomatas deram a declaração depois que as forças francesas tiveram os seus primeiros confrontos com os combatentes islâmicos nos últimos dias.

A guerra terrestre pareceu seguir numa escalada, Quinta-feira, quando as tropas francesas cercaram Diabaly, encurralando os rebeldes que haviam tomado a cidade havia três dias.

“Os nossos inimigos estavam bem armados, bem equipados, bem treinados e determinados”, afirmou um diplomata francês.

“A primeira surpresa foi que alguns deles estão a manter-se no local”, disse ele, acrescentando que os outros tinham fugido durante seis dias de ataques aéreos franceses destinados a deter a ofensiva dos militantes e impedir a tomada da capital do Mali, Bamako.

Os franceses, as forças do Mali e dos países africanos estão a enfrentar uma coligação islâmica que inclui o braço da Al Qaeda no Norte da África, o grupo Ansar Dine local e militantes de um grupo islamista do oeste da África.

A mescla heterogénea de rebeldes tuaregues, islamistas e jihadistas (combatentes islâmicos) de outros países uniu-se para enfrentar a intervenção militar estrangeira, que o Conselho de Segurança endossou, mês passado.

Alguns dos militantes teriam sido treinados e armados pelo governo do líder líbio, Muammar Khadafi, deposto e morto por rebeldes durante uma guerra civil em 2011.

Para alguns diplomatas está claro que as avaliações iniciais dos franceses sobre os militantes subestimaram as suas forças. É uma visão que as autoridades francesas não contestam.

Outros observaram que os 2 mil soldados prometidos pelo Chade, conhecidos pela sua experiência em combates no deserto, ainda não chegaram e não se sabe como irão agir.

O diplomata ocidental mais graduado afirmou não haver nada que indica que os franceses foram sobrepujados no combate terrestre e apontou para o cumprimento do “objectivo inicial da França, que era deter a ofensiva dos militantes”.

“Eles sentem que tomaram as decisões que tinham de tomar no curto prazo”, disse ele. “Mas, inevitavelmente, nestas situações nunca se sabe qual será o resultado, ou as consequências, ou a estratégia de saída. Mas eles foram bem sucedidos na protecção de Bamako, que poderia ter caído nas mãos dos rebeldes.”

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