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Isabel Novela: a coqueluche da música moçambicana!

Isabel Novela: Uma cantora que cintila

Considerada a nova estrela da música africana – pela Native Rhythms e pela Sony Musica, as produtoras que, presentemente, gerenciam a sua carreira – a jovem compositora e intérprete moçambicana, Isabel Novela, dedica-se à arte musical desde tenra idade. Em resultado disso, nos dias que correm, a artista sente-se (suficientemente) madura para colocar o seu primeiro trabalho discográfico no mercado. No entanto, mais do que um produto mercantil, para si, a música possui o sentido da (própria) vida…

Nos meados do ano em curso, Isabel Novela esteve na República da África do Sul onde, entre outras actividades, se revelou à crítica da arte musical daquele país num evento que decorreu no Lounge da Native Rhythms em Johannesburg. Entre o tempo que antecede a publicação do seu primeiro álbum, algo previsto para acontecer antes do fim do ano 2012, Isabel possui uma agenda altamente preenchida de concertos e digressões no país vizinho, África do Sul, incluindo parte significativa da Europa, no Verão do próximo ano.

Muito recentemente, antes de a artista rumar para a Terra do Rand, país em que faz a gravação do disco, @Verdade conversou com a (nova) coqueluche da música moçambicana.

Se assumirmos que (efectivamente) Isabel Novela é a nova voz africana da Native Rhythms e da Sony Music, estaríamos igualmente a aceitar que consigo emerge uma nova visão em relação à música. Que comentário faz a respeito?

Estou no mundo da música há muitos anos, o que significa que vivo nesse contexto desde a infância. Então, no meu primeiro trabalho discográfico, a solo, que está a ser gravado este ano, a minha visão sobre a música será a criação e produção de algo que me identifique, como cantora, em resultado das inúmeras influências que possuo na área, com particular enfoque para a música Afro Soul e o Jazz.

Ou seja, no mesmo álbum, poderão ser apreciados estilos musicais como o New Soul, o Jazz, o World Music devido às influências que tive ao longo dos anos. Trabalhei com muitos músicos, o que fez com que eu convivesse com vários estilos e/ou géneros musicais.

Como estão a ser os desdobramentos da operação que terminará com a publicação do seu primeiro álbum?

Na verdade, já há bastante tempo que eu precisava de gravar o meu álbum, mas penso que foi bom que esta oportunidade (somente) agora tenha surgido, afinal, provavelmente, se tivesse acontecido antes o trabalho fosse reflectir alguma precipitação, algo característico de alguém que gosta tanto de música, querendo ter um trabalho discográfico no mercado. Ora, presentemente, sinto-me mais madura. Tive várias experiências no ramo artístico, em Moçambique como no estrangeiro.

Este é o momento certo para lançar o meu disco porque sinto que já sei como quero que a minha produção musical soe para as pessoas. Tive a sorte de assinar um contrato com a produtora sul-africana Native Rhythms e a Sony Music que farão a distribuição. Isso significa que o álbum estará disponível em várias partes do mundo, o que eu sempre quis.

Comecei a gravar em Dezembro do ano passado. Espero que o disco seja publicado ainda este ano. Lancei o EP em Junho, contendo um número reduzido de músicas, para fazer a promoção da minha obra em Moçambique e na África do Sul. A divulgação será feita entre os meses de Outubro e Novembro.

Como é que o referido trabalho discográfico se chamará e o que Isabel se propõe “discutir” nas composições musicais sob o ponto de vista temático?

Ainda não cheguei a nenhuma conclusão sobre o título a eleger para o álbum, mas penso será Isabel Novela. No entanto, no aspecto da temática, devo referir que normalmente tenho falado muito acerca do amor, no mais amplo sentido da palavra, incluindo algumas peripécias negativas da vida como a tristeza, o ódio, problemas sociais que decorrem da sua falta ou do seu excesso. Abordo a sentimentalidade, penso que estou presa aos sentimentos da humanidade.

Alguma vez inventou uma desculpa para não actuar?

Não! Nunca inventei desculpas para não cantar. Talvez, numa situação em que não devia, terei inventado razões para o efeito. Já houve situações em que ainda que não estivesse bem de saúde, mas, se houvesse um concerto, inventava motivos para que os meus irmãos me deixassem cantar. Eu gosto tanto de música de tal sorte que me sacrifico para que possa subir ao palco e cantar, pelo menos, duas músicas e depois ir descansar.

Isso acontecia muito com a minha família, na Holanda, mas como eles são os meus próximos compreendiam-me e aconselhavam-me a fazer um número muito reduzido de música para, logo depois, repousar. Portanto, desculpas para não cantar espero não ter que inventar nunca.

Como lida com os riscos que derivam do fascinante mundo da música?

Sou uma pessoa muito simples e gosto da minha simplicidade. Não gosto muito de aparecer na televisão porque, a partir disso, o rosto da pessoa fica vulgar, perdendo-se, assim, a privacidade. Ou seja, a pessoa passa a ter que ser muito mais cuidadosa consigo.

É verdade que a pessoa deve cuidar da sua imagem e aparência, mas penso que se isso for feito sem muitos exageros é melhor. Portanto, não muda nada em mim.

Não haverá muitas mudanças bruscas. Continuarei a fazer as coisas de que gosto como, por exemplo, fazer-me transportar nos meios públicos, com as demais pessoas, trajar a mesma roupa, etc.

E, como gosto muito de caminhar, penso que nos iremos cruzar sempre nas ruas de Maputo. Acho que não podemos associar a questão de ser artista ao glamour. Se a pessoa se sente bem como ela é, não tem nada a mudar.

Frequentou um curso de música ou a sua relação com esta arte resulta de uma auto-aprendizagem?

Ainda criança comecei a ter noções de canto com o meu irmão que estudou música.

Mas quando fui para A Holanda, inscrevi-me no Conservatório de Rotterdam, onde tive aulas de canto e de técnica vocal, o que significa que, felizmente, tive um certo acompanhamento na música de tal sorte que, mesmo nos dias que correm, continuo a aprender.

Acho que a música é como a vida, não se pára de aprender. Continuo a aperfeiçoar os meus conhecimentos da área com o meu irmão que está a estudar música clássica e Jazz, com os colegas da área incluindo algumas pesquisas que faço de forma autodidáctica. Com a Internet, na actualidade, é muito fácil aprender-se qualquer coisa de interessante.

O que determinou a sua escolha em relação à profissão de artista?

Penso que a minha determinação para seguir a área da música como profissão surgiu aos cinco anos, na altura em que falei com o meu irmão para que ele me ensinasse algo sobre o tópico. A partir de tal altura, nunca mais me desliguei da prática da música.

Que referências possui na área da música?

Em Moçambique trabalhei com muitos artistas, o mesmo é válido em relação ao estrangeiro. Então, no país, diria que o meu irmão é a minha grande referência não só como músico, mas também como pessoa humana.

Eu espelho-me muito nele. Com ele aprendi muitos aspectos sobre a vida. Penso que ele possui muito ainda para me ensinar no contexto da música clássica e do Jazz.

Gosto muito de Sara Tavares, J. Scott, Erykah Badu, Mingas, de Stewart Sukuma (com quem trabalhei). Aprendi muito, por isso, penso que são muitos os artistas que tenho como exemplos.

Como se define como cantora e como pessoa?

Em todos os contextos sou Isabel Novela. Essa é a minha definição. As circunstâncias não moldam muito o meu ser.

Muita gente confunde a minha origem, em resultado do facto de eu misturar as línguas (Changana, Português e Inglês) nas minhas composições. Então eu queria deixar claro que eu sou Isabel Novela, uma jovem moçambicana, da cidade da Matola.

Na sua música, o que nasce primeiro? A composição ou a melodia?

É relativo. Há vezes que primeiro faço a melodia para, mais adiante, compor a letra. No entanto, há momentos em que escuto uma música a partir da qual faço outra. Já tive experiências similares. Penso que não precisamos de buscar a inspiração para trabalhar, mas precisamos de trabalhar porque estamos inspirados.

Para mim a música depende dos momentos de inspiração que, invariavelmente, são inexplicáveis. Infelizmente, talvez em Moçambique não tenhamos muitas produtoras, mas penso que o processo de fazer a música aqui, na África do Sul ou na Holanda é o mesmo. A música representa um mesmo sentimento.

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