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Iraque: primeiro ministro lidera legislativas, mas terá trabalho para formar maioria

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, vencia as eleições legislativas de domingo, segundo estimativas preliminares, embora analistas tenham advertido, nesta segunda-feira, que ele terá dificuldades para formar uma maioria que lhe permita se manter no cargo.

A aliança que apoia Al Maliki acredita que terá um terço das cadeiras, um número insuficiente para ele se manter como chefe de governo, já que o conjunto da oposição se nega a transigir. “Aparentemente obteremos 100 cadeiras e a diferença com a lista seguinte será muito grande”, disse à AFP uma fonte próxima a Al Maliki. “Penso que obtivemos um terço dos votos, mas será impossível para nós formar um governo sem o apoio de outros grupos”, afirmou à AFP Ali al Musawi, assessor do primeiro-ministro.

Segundo dados recolhidos pela AFP, a Aliança para o Estado de Direito (AEF), da qual Al Maliki faz parte, lidera nas nove províncias xiitas do sul. O Bloco Iraquiano, do ex-primeiro-ministro Iyad Allawi, por sua vez, está na frente nas quatro províncias de maioria sunita: Anbar, Salahedin, Nínive e Diyala. Correspondem às províncias xiitas 119 cadeiras, enquanto às sunitas correspondem 70 de um total de 325 vagas no Parlamento.

A participação nas eleições foi de 62,4%, anunciou na segunda-feira a Comissão Eleitoral, que divulgará resultados parciais na próxima quinta-feira e os definitivos em 18 de março. O número é menor que os 76% registrados em 2005, nas primeiras legislativas realizadas no país desde a queda do presidente Saddam Hussein por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos.

A lista de Allawi é a segunda em três circunscrições xiitas (Mutana, Babil e Basra), mas nas outras seis está atrás da Aliança Nacional Iraquiana (ANI). A ANI, uma coalizão formada pelo Conselho Supremo Islâmico Iraquiano (CSII, de Amar al Hakim) e pelos partidários do clérigo radical xiita Muqtada Sadr, pode ser a grande perdedora das eleições.

Nas províncias sunitas, a AED está em segundo em Diyala e é amplamente superada nas três restantes. Na província multiétnica de Kirkuk, que elege 12 deputados, a lista Curdistânia, formada pelos dois partidos tradicionais curdos, que exigem que a região faça parte do Curdistão, derrota as listas árabes. O Bloco Iraquiano aparece em segundo e a AED, em terceiro. A Curdistânia também vence nas três províncias curdas, que têm um total de 41 cadeiras, ante o partido dissidente Goran (Mudança). O Parlamento se completa com 15 vagas “compensatórias”, distribuídas principalmente entre as minorias religiosas.

Os especialistas consideram pouco provável que Al Maliki consiga se manter no cargo. “Suas relações com os curdos não são boas, a ANI o acusa de exercer um poder personalista e os sunitas de terem reativado a política de ‘desbaathificação'”, disse o professor de ciência política Hamid Fadel. Por “desbaathificação” Fadel se refere à exclusão de cargos políticos de pessoas vinculadas ao partido Baath, de Saddam Hussein, que foi enforcado em dezembro de 2006.

Segundo o acadêmico, o próximo primeiro-ministro será outro membro da AED ou Iyad Allawi. Uma opinião partilhada pelo colega Aziz Jabar, da Universidade Mustansariya, de Bagdá. “Não acho que Al Maliki seja o primeiro-ministro do próximo governo, pois é rejeitado pelos grupos políticos importantes. Seria preciso obter uma vantagem muito maior”, acrescentou Jabar.

A participação nas eleições foi maior nas províncias sunitas, que haviam boicotado as legislativas de 2005. Em Diyala e Salahedin, foi de 70%, de 61% em Anbar e de 67% em Nínive. Nas regiões xiitas, a participação foi de 47% em Wasit e 64% em Muthana, com uma média de cerca de 55%. Em Kirkuk, a participação foi de 70% e nas províncias curdas, foi ainda maior.

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