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Investigadora da NASA Combate Perda de Florestas Costeiras de África

Investigadora da NASA Combate Perda de Florestas Costeiras de África

O declínio de florestas de mangais em terrenos lodosos – habitats essenciais para peixe e crustáceos em países africanos tropicais como Moçambique e Madagáscar – ameaçam os meios de subsistência de pescadores já empobrecidos, mas uma investigadora da NASA encontra-se numa missão para inverter esse declínio. A cientista ambiental Lola Fatoyinbo do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA (JPL) começou um projecto quando ainda andava na escola nos Estados Unidos para obter mais informações acerca de mangais e desenvolver ideias sobre o seu papel no ambiente, segundo a NASA.

Fatoyinbo cresceu em Cotonou, Benin, onde viu os mangais a serem envenenados pela poluição e aplanados pelo desenvolvimento imobiliário. Essa destruição ameaça não só os géneros alimentícios e a economia de África, mas contribui também para o aquecimento global e reduz a biodiversidade do planeta. Os mangais, o ecossistema mais comum nas zonas costeiras dos trópicos e subtropicais, são essenciais – sobretudo em países em desenvolvimento densamente povoados – para a cultura de arroz, pesca e aquacultura, madeira, lenha e, cada vez mais, ecoturismo.

Os mangais protegem dos danos causados por tempestades, moderando os efeitos de ventos fortes e cheias, e os seus sistemas radiculares grandes e densos ajudam a proteger a costa de detritos e erosão. Estas florestas costeiras também estão directamente relacionadas com o clima porque sequestram dióxido de carbono da atmosfera à razão de 112 quilos por hectare por dia, comparável ao absorvido pelas florestas tropicais húmidas. Os mangais são árvores adaptáveis, resistentes, que podem florescer em calor extremo, níveis elevados de sal e solo pantanoso.

O desbravamento implacável destas florestas para a agricultura e a construção, a toxicidade do solo e a poluição a longo prazo pelo petróleo e pelo lixo ameaçam a sua sobrevivência e a de mais de 1.300 espécies animais que habitam nos mangais. REGRESSO ÀS RAÍZES Os estudos de Fatoyinbo levaram-na de regresso a África a fim de testar uma nova técnica de satélite para medir a área, altura e biomassa de florestas de mangais. O seu método, que pode ser utilizado em todo o continente substituindo formas de medição em terra dispendiosas e contraditórias, produziu o que ela julga ser a primeira avaliação completa das florestas de mangais do continente.

Com o colega Marc Simard do JPL, Fatoyinbo utilizou imagens de satélite de Landsat construído pela NASA e dum sistema complexo de classificação por cor, baseado num software para distinguir as zonas de floresta costeira de outros tipos de floresta, zonas urbanas e campos agrícolas. Também integraram dados de Shuttle Radar Topography Mission da NASA para criarem mapas em relevo da altura da cúpula da floresta. Finalmente, juntaram os mapas do radar com observações muito exactas de um instrumento de detecção e alcance da luz (normalmente chamado lidar) a bordo do satélite da NASA Ice, Cloud, and Land Elevation (ICESat) para obter estimativas exactas da altura. (Ver “Satélites da NASA, Censores do Oceano Medem e Monitorizam Nível do Mar”).

As medições de Fatoyinbo produziram três novos tipos de mapas dos mangais: mapas continentais mostrando a quantidade de terra que os mangais cobrem, um mapa tridimensional da altura das cúpulas da floresta em todo o continente e mapas de biomassa que permitem aos investigadores avaliar a quantidade de dióxido de carbono que a floresta armazena. “Pelo que sei, este estudo é o primeiro mapa completo dos mangais de África, um ponto de partida histórico, abrangente, que nos permite iniciar verdadeiramente a monitorização do bem-estar destas florestas”, declarou Assaf Anyamba um especialista em cartografia da vegetação, da Universidade de Maryland-Baltimore County, que se encontra no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. Fatoyinbo verificou a exactidão das suas medições por satélite indo a África para medir a altura e o diâmetro dos troncos das árvores.

Em Moçambique confirmou que tinha medidas extremamente exactas das florestas. “Além da densidade ou da dimensão geográfica das florestas, as medições vão ao centro da estrutura ou do tipo de mangais”, explicou Fatoyinbo. “É esse traço, o tipo de floresta, que está na origem do que muitos proprietários de florestas procuram para agricultura, conservação e sustentabilidade do habitat para animais e pessoas”. Na América do Norte, a mais densa concentração de florestas de mangais encontra-se nas Everglades na Florida, a maior parte da qual é protegida e gerida a nível federal desde 1947 como parte do Parque Nacional de Everglades.

O parque, também designado Reserva da Biosfera Internacional, alberga mais de 300 espécies de aves bem como jacarés, manatins e panteras da Florida. (Ver “Espírito da América Reflectido em Sistema de Parques dos EUA). “A maior floresta de mangais dos Estados Unidos, as Everglades da Florida, são protegidas agora e reconhecidas como um recurso natural em perigo”, disse Fatoyinbo. “Mas em muitos outros lugares, os gestores de recursos não possuem capacidades sólidas de monitorização para combater a exploração dos mangais. Uma melhor monitorização dos mangais significará, espero eu, melhor gestão e preservação”. Dados grátis de satélite podiam ajudar a facilitar os problemas apresentados por financiamento, logística e instabilidade política que podem impedir a preservação dos mangais.

Por essa razão Anyamba e Fatoyinbo estão a trabalhar para convencer o Programa das NU para o Ambiente e a Organização das NU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) a incluíram os dados do estudo nas suas avaliações ambientais. A nova técnica também se distingue, segundo Anyamba, “como um exemplo excelente de como podemos utilizar tecnologias diferentes de sensor remoto conjuntamente para tratar de questões científicas e questões sociais mundiais”.

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