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Investigador de ética da Fifa renuncia por reacção ao relatório dos Campeonatos de 2018 e 2022

O investigador de ética da Fifa, Michael Garcia, renunciou, esta quarta-feira (17), em protesto pela maneira como o seu relatório sobre as candidaturas dos Campeonatos de 2018 e 2022 foi tratado por Hans-Joachim Eckert, o juiz de ética da entidade.

Garcia disse ter perdido a confiança na independência da Câmara Adjucatória do Comité de Ética depois de um comunicado de 42 páginas emitido por Eckert, baseado no documento ainda secreto de Garcia, em Novembro.

Em comentários que devem representar mais um golpe na credibilidade da Fifa para policiar a si mesma, Garcia também afirmou que o organismo carece de liderança. O presidente da Uefa, Michel Platini, membro do Comité Executivo da Fifa, declarou que a renúncia de Garcia é um passo para trás.

“O Comité de Ética da Fifa foi criado para aumentar a transparência da organização, é isso que queríamos, mas no final só causou mais confusão para a Fifa”, disse o francês num comunicado.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, acrescentou: “Estou surpreso com a decisão do senhor Garcia. O trabalho do Comité de Ética irá continuar, entretanto, e será uma parte central das discussões da reunião do Comité Executivo nos próximos dois dias”.

O relatório de Garcia, ex-promotor dos Estados Unidos, examinou as alegações de corrupção na concessão dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Catar, respectivamente. Garcia apelou do comunicado de Eckert, dizendo que ele contém colocações equivocadas, mas o recurso foi declarado inadmissível pela Fifa na terça-feira.

Palavra final

“Agora parece que, pelo menos no futuro previsível, a Decisão Eckert continuará como a palavra final sobre o processo de selecção das sedes dos Campeonatos do Mundo de 2018 e 2022”, afirmou Garcia numa nota, acrescentando que um novo apelo ao Tribunal Arbitral do Esporte seria impraticável.

“Nenhum comité independente de governança, investigador ou conselho de arbitragem pode mudar a cultura de uma organização. E embora a Decisão Eckert de 13 de Novembro de 2014 me tenha feito perder a confiança na independência da Câmara Adjucatória, é a falta de liderança nestes assuntos dentro da Fifa que me leva a concluir que o meu papel neste processo chegou ao fim”.

O comunicado do juiz alemão Eckert argumentou não haver indícios suficientes para justificar a reabertura do processo de escolha das sedes dos Campeonatos de 2018 e 2022. Na sua declaração desta quarta-feira, Garcia afirmou que o seu relatório “identificou questões sérias e abrangentes a respeito do processo de candidatura e selecção”.

Ele ainda disse que o Comité Executivo da Fifa chamou a sua atenção por pedir publicamente ao organismo que autorizasse a publicação do seu inquérito. O Comité Executivo, que irá reunir-se em Marrakech, sede do Mundial de Clubes nesta semana, deve debater uma proposta do alemão Theo Zwanziger para permitir a divulgação do relatório de Garcia na íntegra.

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