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“Inverno Jazz!”

“Inverno Jazz!”

Na noite fria de sábado (4 de Junho), o Quarteto Marcus Wyatt apresentou as mais profundas notas do Jazz de sonoridades envolventes na cidade de Maputo. Durante quatro horas de intenso convívio entre o público e os artistas, o agrupamento serviu a música a uma temperatura artisticamente quente, deixando a plateia extasiada.

Numa noite em que se esperava que o concerto de Jazz fosse um fracasso devido à temperatura, o Quarteto Marcus Wyatt revelou o seu virtuosismo em matéria de boa música, levando os espectadores a uma viagem sem precedentes. Concorrido por um público refinado, o evento não poderia ter decorrido em melhor lugar: o espaço Kampfumo, na Estação dos Caminhos-de-Ferro de Maputo.

A despeito dos 30 minutos de atraso, nada ofuscou a performance dos artistas. Afinal, pouco mais 250 pessoas presentes no local, a simplicidade do cenário montado, a temperatura, entre outros factores, intensificaram nos artistas “a vontade de curtir o Inverno na Estação de Caminhos-de-Ferro”, como afi rmou Marcus Wyatt.

Ou seja, o concerto que iniciou às 11h00 da noite terminou às 2h00 da manhã seguinte, com meia hora de intervalo. O grupo apresentou um repertório composto por 20 músicas.

Por alguns instantes, concentramos a nossa atenção no público homogéneo e constatámos que a maioria dos presentes pertencia à comunidade europeia em Maputo. Alguns cidadãos eram apenas boémios, que adoram “curtir a night”, conforme comentaram e outros ainda tornam-se noctívagos “para desanuviar a carga laboral” dos dias úteis da semana.

Milagre do saxofone

Até ao fim da primeira parte do concerto, estávamos cientes de que diante daquelas sonoridades ímpares, apesar de “desprovidas de uma voz para acompanhá- -las”, como certo espectador comentou, importava considerar que a música é “uma linguagem universal”. Todavia, Marcus acrescentou: “é uma mensagem”, por conseguinte “não precisa de mensagem”.

Começámos, então, a criar a nossa mensagem. Sem prejudicar os demais integrantes da banda – Justin Badenhorst e Prince Bulo –, prestámos a nossa atenção particularmente a Marcus Wyatt, o saxofonista.

Na sua relação de afecto com o saxofone, em Marcus Wyatt encontrámos sons miraculosos, com uma propriedade terapêutica. Entram-nos nas entranhas, impelindo-nos a reduzir o grau da nossa civilização individual como aconteceu com o público que acabou por riscar o “pé no chão” ou por abanar a cabeça.

Tenacidade

Em relação a Afrika Mkhize, certo espectador disse: “este artista possui o piano na alma”. Com efeito, não estava errado! Mkhize desencadeou uma relação muito peculiar com o piano. Mostrou conhecer “de cor” as suas inúmeras ferramentas. Tocando-o, torna- se um turbilhão “violento”, perde a razão e deixa-se viajar na emoção, capitalizando a sensação agradável da música.

A sonoridade que daí emerge recorda um combate tenaz para a acção do bem cujo fim é a paz e a satisfação geral – que se verifica nos aplausos que incondicionalmente arrancou do público.

É por isso que, a dado passo, ficámos com a impressão de que, quando Fernando Wagner, autor da Teoria e Técnica Teatral, afirmou que “na música ou na pintura há uma técnica perfeitamente defi nida, que ninguém ousaria dar um concerto ou exibir uma obra de arte sem anos e anos de estudo e uma carreira dura, difícil e bem programada”, em parte, referia-se a artistas desta natureza.

A promessa!

Marcus Wyatt não pôde revelar o seu amor ao público moçambicano, em português, como queria. Ou seja, a língua é uma barreira que só pode transpor na melodia do saxofone. Todavia, “a amabilidade e o espírito acolhedor do povo moçambicano, maravilhoso, a singularidade arquitectónica da Estação dos Caminhos-de-Ferro de Maputo – onde decorreu o concerto –, a simplicidade da cidade de Maputo”, entre outros factores, arrancaram de Wyatt uma promessa incondicional: “voltarei a Maputo”.

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