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Trabalhadores da Kenmare revindicam aumento salarial e ameaçam com greve

Inicia nesta segunda-feira (6), a mediação do conflito laboral existente na empresa Kenmare envolvendo os mais de mil trabalhadores nacionais e esta empresa que explora as areias pesadas em Topuito, no distrito de Moma, província nortenha de Nampula desde o ano de 2007. O ponto de discórdia é a reivindicação dos trabalhadores de um reajustamento salarial de 30 por cento que a entidade patronal não pretende satisfazer e propõe apenas 6,5 por cento.

De acordo com o caderno reivindicativo que o comité sindical daquela empresa apresenta, os trabalhadores exigem, para além do aumento salarial, a revisão dos pontos acordados nas últimas negociações, entrada em vigor do plano de formação profissional e consequente substituição da mão-de-obra estrangeira.

Em contacto com o director dos Recursos Humanos daquela empresa, Caetano Amurane, deu a conhecer que a empresa decidiu ceder parte de algumas exigências dos trabalhadores, ficando apenas o aumento do salário em 30 por cento porque a direcção da Kenmare sentiu que a sua instituição não está a altura de fazer esses pagamentos sob pena de entrar em falência, tendo decidido para aumentar apenas os 6.5 por cento.

Contudo, tendo não concordado com a decisão da direcção da empresa, os trabalhadores decidiram fazer uma carta de pré-aviso antecipando a realização de uma greve geral de modo a paralisar as actividades da empresa visando forçar a entidade empregadora a ceder as suas exigências.

Amurane assegurou que esta segunda-feira deverão ser finalizadas todas as negociações com vista a atingir um consenso em prol do desenvolvimento da empresa e melhoramento da vida dos trabalhadores. A fonte disse que caso não se chegue a um concenso satisfatório e os trabalhadores continuarem a bater na mesma tecla em relação a greve “nós vamos deixar que façam a sua vontade”, concluiu advertindo que caso venha a acontecer a direcção da empresa irá tomar medidas punitivas disciplinarmente ou mesmo de expulsão. Porque a greve geral, segundo aquele responsável, poderá agravar mais os baixos níveis de produção e consequente perda de alguns clientes que com os quais existem compromissos.

Por outro lado, pediu aos trabalhadores no sentido de poderem aceitar as ofertas que a empresa oferece, pois com a entrada em funcionamento da segunda fase do projecto de exploraçao dos recursos minerais estará a contar com mais rendimentos e daí haverá a possibilidade de aumento das percentagens que desejam.

Neste momento, a empresa não oferece condições financeiras necessárias para suportar esses pagamentos, sob o risco de fechar as portas devido à falência, visto que o mercado internacional não está bastante competitivo. Aliás, Caetano Amurane revelou que aquela mineradora está a registar, nos útimos anos, uma baixa em termos de níveis de produção, factor aliado ao fraco desempenho dos próprios trabalhadores.

A título ilustrativo, explicou que no ano de 2010 cada operário produzia cerca de 1.200 toneladas por mês e agora estão na cifra de 800 toneladas.

Informações em poder da nossa reportagem indicam que uma equipa de Inspecção da Direcção Provincial do Trabalho já se encontra naquele ponto da província de Nampula com o objectivo de fazer a mediação no sentido de resolver o problema.

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