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Infantário sem água potável

O Infantário Provincial de Nampula enfrenta sérios problemas relacionados com o abastecimento de água para o consumo interno. A falta do preciso líquido nesta instituição de apoio social às crianças carenciadas está a condicionar a produção de hortícolas, além de contribuir para a falta de higiene.

A primeira impressão com que se fica do Infantário Provincial de Nampula é a de que se trata de uma instituição esquecida. Sem água para o seu funcionamento normal, a solução tem sido esperar pela chuva que não cai já faz tempo.

Segundo o chefe do departamento da Acção Social, Ahate Daúdo, há a necessidade de se construir um depósito de armazenamento porque o abastecimento de água de forma intercalar cria sérias dificuldades no funcionamento normal da instituição.

A falta de água naquela instituição de apoio social de crianças carenciadas cria problemas relacionados com a realização das actividades de horticultura, além de estar a contribuir para a falta de higiene.

Sobre o melhoramento do abastecimento de água, o apoio não será apenas dirigido ao infantário provincial, mas também a outras unidades de apoio social instaladas em todos os distritos da província de Nampula.

“Estão garantidas as condições para a assistência sanitária onde se prevê a introdução de um sistema específico, não só na componente do abastecimento de água, mas também na área de alimentação e educação”, disse Daúdo.

Os apoios serão disponibilizados pela Direcção Provincial da Mulher e Acção Social, entidade que subordina o infantário em colaboração com os parceiros, como é o caso da Helpo que assiste directamente aquela unidade de apoio social, incluindo os centros de acolhimento de idosos.

No âmbito do acolhimento e apoio na educação das crianças que escolhem o infantário como uma residência alternativa, os dirigentes estão a desenvolver diversas actividades de geração de rendimento.

Segundo o nosso entrevistado, com a realização de tais actividades pretende-se não só garantir a auto-sustentabilidade, bem como assegurar o desenvolvimento dos petizes para a fase adulta com as necessárias capacidades para saberem enfrentar o mundo do desemprego que, actualmente, preocupa a camada mais jovem da população moçambicana.

“O nosso apoio é extensivo. Acompanhamos a sua formação e a frequência de cursos profissionalizantes para responder de forma positiva ao mercado de emprego que exige muita qualidade na formação”, frisou o chefe do departamento de Acção Social, acrescentando que os cidadãos formados naquele infantário desenvolvem as suas vidas de forma independente, reconstruindo as suas famílias.

Desafios do infantário provincial

Actualmente, constituem principais desafios das autoridades de Acção Social em Nampula a sensibilização das famílias moçambicanas sobre a necessidade de educar os seus filhos de modo a tornar mais coesas as comunidades.

Explicou que a falta da coesão das famílias deve-se aos níveis de extrema pobreza, aliada ao elevado número dos membros de um agregado familiar, em que os pais têm prestado maior atenção a algumas crianças em detrimento de outras, situações de desavenças que permitem a ocorrência de divórcios por parte dos cônjuges.

De acordo com Ahate Daúdo, o desenvolvimento que a província de Nampula está a conhecer nos últimos tempos tende a contribuir para que as crianças abandonem as suas famílias, preferindo estar nas ruas da cidade.

Na tentativa de reduzir a ocorrência destes casos, a fonte que temos vindo a citar disse que o infantário provincial está a desenvolver acções visando aumentar as capacidades de resposta aos problemas sociais, através do fornecimento do subsídio de alimentação que presentemente abrange mais de 90 porcento de agregados familiares, inserido no programa de apoio social básico.

Por outro lado, a nível da província não existem hábitos de adopção de crianças em situação de desfavorecida e isso deve-se ao facto de muitas famílias não serem sólidas.

Historial do infantário

O Infantário Provincial de Nampula, que no período colonial funcionava no distrito de Mossuril, realizava trabalhos de acolhimento de crianças em situação difícil, que se encontram privados de usufruir dos seus direitos. Porém, foi quebrada a regra de apenas acolher os petizes órfãos, visto que existem crianças carenciadas que não estão separadas das suas famílias.

A transferência do infantário para a cidade de Nampula, nos anos 80, deveu-se à falta de segurança depois da eclosão da guerra dos 16 anos. A decisão foi igualmente motivada pelas condições em que as infra-estruturas se encontravam.

Anualmente, aquele infantário atende, em média, 250 crianças. O abandono que se regista na instituição tem a ver com a falta de elo entre os petizes e as respectivas famílias, facto que obriga muitas crianças a instalarem uma residência alternativa porque aí encontram um ambiente de convívio, onde são submetidos a actividades de produção de alimentos e criação de frangos, e aprendem a criar projectos de geração de rendimento de forma independente para poderem suportar os encargos familiares.

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