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O dia em que o Estádio foi inaugurado

O dia em que o Estádio foi inaugurado

23 de Abril de 2011. Esta data ficará marcada na memória colectiva dos moçambicanos. Pouco mais de 40 mil pessoas presenciaram a cerimónia de inauguração do maior empreendimento desportivo construído depois da independência no país, além de outras milhares que testemunharam através da TV, Rádio e nas redes sociais facebook e twitter.

Às 10 horas da manhã o trânsito para quem saía ou ia à zona de Zimpeto apresentava-se-lhe intenso e caótico. Aliás, se, por um lado, milhares de pessoas se deslocavam à cidade, por outro, milhares movimentavam-se em direcção ao Estádio para testemunhar a cerimónia de inauguração. No recinto da infraestrutura poucas eram as pessoas que aguardavam o momento.

Ao rendor, sobressaiam aos olhos um aparato de forças policiais, centenas de indivíduos ligados à organização do evento e pessoas que viram neste acontecimento uma oportunidade para fazer negócio, além dos meios de comunicação social. Barracas improvisadas e outros pequenos negócios de bebidas e comida estendiam-se ao longo de uma estrada que dá acesso ao estádio. Na berma da rua, diversos colmanes de bebidas alcoólicas e churrasqueiras faziam a delícia dos consumidores.

No interior, algumas empresas de catering, e de venda de bebidas, e de camisetas com dizeres sobre os Jogos Africanos e cáscois da selecção nacional de futebol instalavam-se. A procura pela comida e bebida era enorme: havia longas filas nas poucas lanchonetes em serviços.

O problema de atraso de sempre

Até ao meio dia, os portões de acesso ao Estádio Nacional de Zimpeto encontravam-se fechados ao público. E uma longa fila de pessoas aguardavam entrar no recinto.

Previstos para abrirem às 12 horas, os portões só vieram a ser abertos por volta das 13 horas. No interior do Estádio, aproximadamente 1500 crianças, de idades compreendidas entre 11 e 16 anos, faziam os últimos ensaios de apresentação e os órgãos de informação procuravam melhores lugares para se instalar.

A PRM não revelou quantos agentes o sistema de segurança da cerimónia mas havia um número considerável deles. A equipa do Corpo de Salvação Pública esteve presente, além de alguns voluntários para prestarem os primeiros socorros em caso de acidente. O Estádio começou por estar vazio, mas depressa o número de pessoas foi crescendo. Quando o relógio marcava 15h30, havia apenas no interior pouco mais de 10 mil.

A cerimónia de inauguração começou com um espectáculo de música na qual artistas moçambicanos nao deixaram os seus creditos em mãos alheias, aliás, mostraram o seu virtuosismo apresentando repertórios compostos por temas maioritariamente já conhecidos pelos amante da música nacional. Aliás, não apresentaram nada de novo. Embora o público tenha-se mostrado recatado no início aplaudindo timidamente cada momento em que os músicos puxavam por ele, os artistas souberam estar a altura do evento.

Subiram ao palco músicos que representam duas gerações distintas, nomeadamente Xidiminguana, Wazimbo, Júlia Duarte, Marlene, Júlia Mwito, Dama do Bling e Mc Roger, este último bastante ovacionado. Seguiu-se um dos pontos mais altos da cerimónia. O presidente Armando Guebuza descerrou a placa de inauguração no exterior do estádio.

No interior, pelos 15 a 20 mil pessoas acompanhavam o acto através de um dos ecrãs. Durante aproximadamente meia hora, ouviu-se os discursos de praxe da governadora da cidade de Maputo, do ministro da Juventude e Desportos e do embaixador da China em Mocambique. O momento que se seguiu foi inteiramente cultural.

Primeiro, fez-se uma declamação de poesia em XI-changana, e assistiu-se a algumas demonstrações exuberantes protagonizadas por milhares por crianças. Vestidas à guerreiros da região sul do país, os petizes levantaram a plateia com uma espectacular apresentação ao ritmo de sons tradicionalmente moçambicanos.

A banda militar esteve igual a si mesma. Com um repertório bastante antiquado que relembra os tempos de orientação única, a de monopartidários, fez uma apresentação, diga-se, honesta que não deixou os espectadores indiferentes. Mas a animação no interior do estádio foi garantida pelos os de palma e meio.

O entusiasmo subia de nível a cada número que a pequenada apresentava, embora muitas vezes a coreografia tenha se apresentado desajustada. Errou-se alguns passos, mas nem por isso a festa deixou de ter brilho. Constantes sons de vuvuleza, sonoros assobios e aplausos eufóricos enchiam o estádio e tornavam o ambiente literalmente quente. O barrulho era intenso e contagiante. A casa ainda não estava cheia. Diversos bancos vazios saltavam à vista.

Num discurso de pouco mais de 10 minutos, Guebuza fez um pronunciamento bastante floreado sobre o empreendimento e a sua importância para o país. Depois disso, grande parte dos espectadores ia chegando.

Num piscar de olho, o estádio ficou lotado de pessoas avidas em testemunhar a festa de inauguração.

Num ambiente deveras entusiasmante, assistiu-se a um verdadeiro espectáculo de fogo de artifícios. Ao som de Vangelis, o público emocionou-se com a exuberância da queima de fogo. E já era chegado o momento que marcava o ponto mais alto da cerimónia: a partida de futebol entre as selecções de Moçambique e Tanzania.

No confronto amigável, os mambas levaram a melhor, vencendo o seu adversário por duas bolas sem resposta para alegria de mais de 450 mil pessoas que se fizeram ao Estádio Nacional de Zimpeto, além de milhões de moçambicanos espalhados pelo país ligados à TV, radio e internet. A festa terminou com uma grande queima de fogo de artifícios que durou sensivelmente 10 minutos. A cerimónia encerrou sem grandes sobressaltos. Reacção do público O público respondeu positivamente à chamada para a festa de inauguração do maior empreendimento desportivo do país.

 

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