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IIAM estimula produção de soja

A zona de Ruace, localizada no distrito de Gurue, na província central da Zambezia, em Moçambique, era uma das maiores regiões produtoras de soja, milho e trigo durante a década 70. Contudo, depois veio a guerra e, hoje, os camponeses lutam pela sua sobrevivência plantando culturas tais como o milho, feijão, ervilhas, e mais recentemente a soja.

“No ano passado plantei meio hectare de soja e fiz cerca de nove mil meticais, (equivalente a aproximadamente 350 dólares)”, disse Armando Camilo, um dos pequenos agricultores naquela região. “Na presente campanha tripliquei a terra cultivada com soja”, acrescentou.

Camilo, pai de oito filhos, decidiu apostar na soja no ano passado depois de se aperceber que outros camponeses que já haviam adoptado esta cultura estavam a ter bons resultados. “Eles fizeram muito dinheiro e conseguiram comprar bicicletas e motorizadas”, disse Camilo.

Segundo Sicco Kolijn, engenheiro agrónomo do Instituto Internacional para Agricultura Tropical (IITA), existe uma grande demanda de soja na indústria de produção de rações para aves. Actualmente, Moçambique precisa de cerca de 40.000 toneladas de soja por ano, mas apenas produz cerca de 10 por cento para suprir as suas necessidades, sendo o remanescente importado dos países vizinhos e da América Latina.

A produção de soja na região está a ser inviabilizada devido a falta de acesso a sementes melhoradas de alto rendimento, e informação sobre as melhores práticas no maneio do solo e das culturas. Por isso, produtores de sementes e agrónomos do Instituto de Investigação de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) já estão a trabalhar em parceria com o IITA, incluindo outros especialistas para desenvolver e introduzir novas variedades de soja melhorada para aumentar a produção em Moçambique.

Em 2007, foram desenvolvidas na Nigéria, sede da IITA, cerca de 70 variedades diferentes de soja que foram trazidas para Moçambique para ensaios experimentais. Após a conclusão dos testes, os cientistas conseguiram reduzir para 17 tipos e, mais tarde, para cinco, que são as variedades que melhor se adaptaram a região e que também são as mais preferidas pelos camponeses da região de Ruace. Estas variedades são de alto rendimento, tolerantes a seca, resistentes a pestes e doenças, e com uma capacidade de fixação de grandes quantidades de nitrogénio nos solos.

“Com estas sementes de soja melhoradas, os camponeses podem rapidamente duplicar os seus rendimentos. A variedade local produz cerca de 700 quilos por hectare, enquanto que o rendimento destas novas variedades e’ de cerca de 2,5 a três toneladas por hectare”, disse Dr. Steve Boahen, um cientista do IITA.

As sementes seleccionadas foram testadas nos campos de teste dos camponeses e da IITA e do IIAM. Actualmente, um grupo de 60 agricultores estão a participar nos testes das novas sementes melhoradas de soja nas províncias da Zambézia e de Nampula, ambas localizadas no Norte de Moçambique. Camilo também é um dos camponeses que está a apoiar os testes de campo.

A semelhança de outros pequenos agricultores, Camilo também está a testar três das novas variedades de soja, cujos resultados serão comparados com as sementes produzidas localmente. Camilo está ansioso em apurar qual é que regista melhores resultados.

Atenção particular também está a ser prestada ao desenvolvimento de boas práticas de maneio de culturas, incluindo a melhor época para o plantio, espaçamento, profundidade para o lançamento da semente, controlo de pestes e de doenças. Os camponeses também aprenderam a corrigir o espaçamento das suas culturas para maximizar os seus rendimentos.

“Geralmente a qualidade é muito pobre e se o espaçamento for muito grande, pois baixa a germinação e existe mais capim”, explicou Dr. David Chikoye, cientista do IITA. A falta de mão-de-obra no início da época chuvosa é outro desafio que os camponeses da região de Ruace enfrentam. Isso limita consideravelmente a extensão de terra lavrada pelos camponeses.

Citando o caso de Camilo como exemplo, ele diz que gostaria de aumentar a sua área de cultivo para cinco hectares, contra os actuais 1,7 hectares sob cultivo. Contudo, ele está limitado pois depende da sua família para ajudá-lo da sua machamba. Muitas vezes, isso resulta no plantio tardio, que se traduz em fracas colheitas pelo facto de as plantas não conseguirem obter a humidade desejada.

Como forma de tentar minimizar a situação, o IIAM em parceria com o IITA e outras organizações de assistência ao desenvolvimento, que operam na região, estão a estudar a possibilidade de introduzir sistemas de mecanização a um custo acessível para os camponeses.

No final do corrente ano, o IITA vai recolher os resultados dos testes de campo de teste e dos camponeses e enviar ao IIAM para submeter um pedido para o seu registo oficial e distribuição das variedades de soja em Moçambique.

Após a conclusão deste processo, o desafio do IITA e dos seus parceiros será de demonstrar aos camponeses os benefícios das novas variedades. Apesar de ainda terem um grande trabalho pela frente, o IIAM e IITA já deram os primeiros passos para melhorar a vida dos camponeses na região.

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