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Humberto Solás 66 anos (1942-2008)

Humberto Solás 66 anos (1942-2008)

Humberto Solás, que morreu aos 66 anos de cancro no passado dia 17, era o enfant terrible do cinema cubano nos anos 60, numa época em que Cuba era o enfant terrible do cinema mundial. Nascido em 1942, em Havana, Solás pertencia, conjuntamente com Tomás Gutiérrez Alea, Santiago Alvareze Júlio Garcia Espinosa, à geração de realizadores cinematográficos que colocaram a sua arte ao serviço da revolução para criarem um novo cinema cubano.

Aos 14 anos já Solás se havia juntado aos “barbudos” no movimento urbano clandestino para combater a ditadura de Fulgêncio Baptista. O apego à causa valeu-lhe o abandono do curso de Arquitectura.

 

Imediatamente após o triunfo da revolução, em 1959, começou a trabalhar como produtor de curtas, sendo um dos responsáveis pelo noticiário do ICAIC (Instituto Cubano de Cinema) que se transformara em portavoz do movimento vitorioso. Desde as suas primeiras curtas – “Casablanca” e “Minerva Cruza el Mar”, de 1961 e 62, respectivamente – adoptou um tom inusitado de abordagem das mudanças políticas e económicas em Cuba. O seu trabalho internacionalizouse com os retratos de mulher que Solás propõe em “Manuela” e “Lúcia”. O primeiro é um filme que mistura o romântico com o neo-realismo, mostrando como uma simples camponesa se pode tornar num soldado ao serviço da revolução, derrubando o tabu que essa transformação só podia ocorrer nos homens. O segundo, “Lúcia”, é mesmo a sua obra-prima. O filme conta a história de três mulheres, todas com o mesmo nome, Lúcia, que vivem em diferentes períodos da história cubana, desde o colonialismo até à luta revolucionária.

Pelo seu cuidado com o detalhe e pelo seu esplendor visual, Solás chegou a ser apelidado de Visconti da revolução cubana.

Longas-metragens como “Cecília”, em 1982, e “Um homem de sucesso”, em 1986, valeram-lhe problemas com as autoridades. Solás, apesar de crítico do regime, jamais pensou abandonar Cuba. Sem verba para desenvolver os seus projectos – dizia que a crise económica mudara as estruturas do pensamento -, passou a depender cada vez mais dos parcos financiamentos que vinham do estrangeiro, especialmente de Espanha, para produzir os seus filmes que eram, em geral, caros para os padrões cubanos.

Já no final da carreira, em 2001, o realizador, com “Mel para Oxum”, quis dar o seu testemunho sobre a crise que assolava Cuba. O filme foi efectuado com poucos actores e em super-16 mm, no formato road movie. Solás trabalhou sobre um roteiro construído, mas flexível para absorver o que a estrada tinha para lhe oferecer.

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