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Hugo Chávez tem “no máximo dois anos de vida”

Até agora, Hugo Chávez tem conseguido que pouca informação saia a público sobre o tumor que, em Junho passado, o forçou a deslocar-se a Cuba para tratamentos médicos.

Na semana finda, o presidente da Venezuela voltou a Havana para exames que determinarão se o número de células cancerígenas diminuiu, passados quatro meses de tratamento, com o líder a dizer à chegada a capital cubana – onde o presidente Raúl Castro o foi receber pessoalmente – que espera regressar à Venezuela com “boas notícias”.

A verdade, contudo, é que poderá não haver boas notícias para o presidente. Desde que foi submetido a tratamentos de quimioterapia, depois de diagnosticado com um tumor na zona pélvica, Chávez, de 57 anos, tentou ao máximo gerir a informação em torno da sua doença, mas um médico da sua família veio agora garantir publicamente que o cancro do presidente é “muito agressivo” e que Chávez terá “no máximo até dois anos de vida”.

Salvador Navarrete, que integrou a equipa de médicos que trataram Chávez, garante que o diagnóstico é correcto depois de cruzadas informações com outros especialistas que conhecem os contornos do caso. “A informação que tenho da família é que ele tem um sarcoma, um tumor com um prognóstico muito mau, e tenho a certeza que essa é a realidade”, sublinhou.

Numa entrevista à revista semanal mexicana “Milenio”, publicada esta semana, o cirurgião não se poupou a pormenores, com o argumento de que a situação é grave.

“Sou cirurgião da família [Chávez] e reuni-me com outros médicos [da família], partilhámos informações disponíveis e concordamos plenamente neste diagnóstico”, assegurou o médico, que descarta informações avançadas há algumas semanas que davam conta de que o presidente sofreria de um cancro da próstata.

“[Por ser um tumor na zona pélvica] é que lhe estão a aplicar uma quimioterapia tão agressiva, porque se fosse cancro da próstata davam-lhe hormonas e nem se daria conta de que estava a receber tratamento”, explicou à revista.

“E quando digo que o diagnóstico é muito mau, significa que a esperança de vida pode ser de até dois anos no máximo. Isso explica a decisão de antecipar as eleições”, disse ainda o chefe da unidade de cirurgia endoscópica do Hospital Universitário de Caracas.

À chegada a Havana, Chávez manteve o silêncio sobre a suposta gravidade da sua doença. Aos jornalistas na capital cubana, o presidente venezuelano disse apenas que vai ser submetido “a exames rigorosos que implicarão uma revisão integral do corpo até nos lugares mais recônditos para verificar os resultados desta primeira etapa de tratamento”.

Chávez afirmou ainda que o vice-presidente Elías Jaua ficou responsável pela gestão da Venezuela até ao seu regresso. “Estarei em contacto permanente com ele, com os vice-presidentes do governo, com os ministros, com o alto comando militar e com o pessoal das forças armadas”, declarou o presidente, acrescentando que “cada um continuará a trabalhar na sua trincheira fazendo o seu trabalho”.

Chávez continua assim a tentar que os seus problemas de saúde não interfiram na sua gestão política, sobretudo com eleições gerais agora marcadas para o próximo ano. Em antecipação, Chávez lançou há quase duas semanas a coligação de partidos e movimentos políticos Pólo Patriótico, que irão apoiar a sua reeleição em 2012.

A criação da coligação surge para tentar recuperar votos perdidos por Chávez nos últimos anos, marcados pela deterioração da economia e pelo aumento da insegurança no país.

Nesse dia, 7 de Outubro, o deputado e presidente do parlamento venezuelano Fernando Soto Rojas declarou que “a ideia do Pólo não é uma frente eleitoral mas sim um movimento de movimentos que possa ir além do eleitoral”.

O método de rearticular as forças pró-governo numa mesma plataforma já tinha sido utilizado pelo presidente venezuelano em 1998, quando foi eleito presidente.

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