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Guebuza desafia empresários franceses a investir em Moçambique

O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, desafiou na segunda-feira em Nice, Sul da França, todos os empresários deste país europeu a investir em Moçambique, deplorando o fraco volume das trocas comerciais entre ambos os países.  

Na ocasião, Guebuza reconheceu que as relações políticas e diplomáticas entre ambos os países são excelentes, citando também, como exemplo, a interacção entre as Nações Unidas e a Organização da Francofonia. “As nossas relações comerciais ainda são muito diminutas e insignificantes, tendo em conta o nível político do nosso relacionamento e o potencial que existe tanto em Moçambique como em França para beneficio mutuo”, disse Guebuza, falando num encontro com empresários franceses, a escassas horas da abertura oficial hoje da 25/a Cimeira França-África.

Este evento conta com a participação de vários Chefes de Estado e de Governo da maioria dos países africanos. Este sentimento também é partilhado pelo Ministro moçambicano da Indústria e Comércio, António Fernando, que participou no encontro. Prosseguindo, Guebuza explicou que Moçambique se encontra a atravessar uma fase crítica, que se traduz numa crise de crescimento, razão pela qual se impõe a necessidade de atrair mais investimentos. “O Orçamento do Estado ainda depende de cerca de 50 por cento dos doadores, apesar de estar a reduzir, cada vez mais, os créditos e donativos exteriores.

Isso porque ainda não estamos em condições de ter recursos a partir das nossa próprias receitas orçamentais, porque ainda não produzimos o suficiente”, disse Guebuza. Por isso, segundo Guebuza, Moçambique precisa de aumentar as suas receitas, algo que pode ser alcançado com mais investimentos, de forma a produzir mais riqueza. “Nós pensamos que convosco podemos trabalhar no sentido de aumentar essa receita no nosso orçamento investindo para o benefício mútuo de ambas as partes”, concluiu Guebuza.

Por seu turno, António Fernando, fez uma breve apresentação dos investimentos públicos realizados em Moçambique nos últimos anos, destacando a construção da “Ponte Armando Guebuza”, que liga o Norte e o Sul do país e que facilita o fluxo de mercadorias, reduzindo os custos de produção e de transporte de carga. A linha-férrea de Sena foi o outro grande investimento arrolado pelo Ministro por permitir um amplo movimento de carga na zona Centro do país, e que pode ser exportada a partir do Porto da Beira. Fernando mencionou ainda a transformação da base aérea de Nacala em Aeroporto Internacional, que vai alterar a geografia daquela região sobretudo no que concerne ao turismo, permitindo voos directos da Europa e da Ásia.

Com relação ao investimento privado, o Ministro mencionou a exploração das areias pesadas de Moma, na mesma província de Nampula, a exploração de carvão na província central e Tete, a prospecção do gás natural e petróleo, em curso nas várias regiões do país. Segundo o Ministro, apesar destes volumosos investimentos realizados no país, a França não consta da lista dos primeiros Dez países investidores em Moçambique. “A França não consta da lista do grupo dos Dez maiores investidores em Moçambique”, disse o Ministro, sublinhando que “na nossa opinião existe muito espaço para a França investir no país.

Para melhor sustentar os seus argumentos, Fernando destacou a localização estratégica de Moçambique, que facilita o acesso aos maiores mercados mundiais. Em termos de outros atractivos para se investir em Moçambique, Fernando citou, como exemplos, a aprovação de um código de benefícios fiscais ‘muito favorável’, um regime especial para minas, petróleo e hidrocarbonetos e protecção de investimentos. Sobre as áreas com enorme potencial para o investimento estrangeiro, o Ministro destacou a indústria no geral, dando ênfase as áreas de agro-processamento, têxteis, produção de cimento e reparação naval.

A última mereceu uma atenção especial do Ministro, afirmando que “na costa moçambicana passam mensalmente milhares de navios”, mas que carecem de uma doca para reparações na costa da África Oriental, em caso de necessidade. Segundo o Ministro, a única doca existente na região está localizada no porto sul africano de Durban. Por isso, de acordo com Fernando, “quem fizer uma doca, em Nacala, para a reparação naval, terá feito um bom negócio”.

A produção de energia, através da construção da central hidroeléctrica de “Mpanda Nkwa”, Centro do pais, da central térmica de gás na Moamba, província meridional de Maputo, e centrais térmicas de Benga e Moatize, ainda no Centro, são outras oportunidades de negocio apresentadas pelo Ministro António Fernando aos empresários franceses. Ele também falou em se investir em energias renováveis, tais como solar e eólica, e na área de turismo, onde Moçambique possui um potencial quase infinito. Falando em nome dos empresários franceses, o Presidente da MEDEF Internacional, Jean Burelle, reconheceu que, de facto, Moçambique se apresenta como um destino muito atractivo para o investimento francês.

A MEDEF Internacional e’ uma rede de empresários, que junta mais de 700 mil empresas, incluindo pequenas e medias de todos os ramos da actividade. Burelle destacou o facto de Moçambique ter registado um crescimento económico médio anual de oito por cento nos últimos anos. “Nós reconhecemos que o actual volume de negócios pode melhorar. Estamos seguros que as companhias francesas estão interessadas em ser parceiras de Moçambique”, disse Burelle. Em termos económicos, Moçambique é um parceiro modesto da França. As principais importações da França incluem o alumínio, produtos alimentares tais como açúcar e camarão, perfazendo um total de 21,4 milhões de euros em 2007.

As exportações da França para Moçambique atingiram um total de 28,7 milhões de euros, em 2007. Participaram no encontro, um grupo de empresários moçambicanos que integram a delegação presidencial e o Director Geral do Centro de Promoção de Investimentos de Moçambique (CPI), Momad Rafik.

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