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Educar a criança é acelerar o combate a pobreza

Uma das perguntas que se fazem como pobres que somos, entanto que povo, é como é que os países que eram tão pobres como nós, conseguiram, muitas vezes em tão pouco tempo, como os 35 anos da nossa independência, erradicar a pobreza e entrar na senda da prosperidade, como é o caso da China que, em apenas três décadas, atravessou a fronteira do subdesenvolvimento, e está agora num altíssimo voo económico rumo à prosperidade.

Se fosse tentar dar resposta a esta pergunta nos recuados tempos dos famosos economistas Adam Smith e David Ricardo, diria que a China erradicou a pobreza, valendo-se do trabalho árduo que o seu povo leva a cabo de dia e de noite, mas no mundo da revolução do conhecimento em que vivemos, o trabalho é apenas um lado da moeda, e só produz milagres económicos quando combinado com a educação massiva das crianças ou camadas mais jovens, para que se armem do saber que os permita ter soluções mesmo onde o comum de nós achamos impossível.

É só ver como os chineses estão a erguer o nosso Aeroporto Internacional de Maputo, incluindo o Parque que antes parecia uma jaula para animais perigosos. Assim dito, a resposta mais completa para que possamos sair rapidamente da pobreza é que devemos massificar a educação das nossas crianças que hoje celebram o seu dia mundial, ao mesmo tempo que temos de incutir nelas a cultura do trabalho árduo que, como diziam aqueles dois economistas, continua hoje sendo de facto o meio para se acumular honestamente todas as riquezas. Mas o que prova que o trabalho sem a massificação duma educação sólida provoca uma paralisia ou mesmo estagnação económica onde já havia prosperidade.

É o que está a acontecer paulatinamente com os EUA e, dum modo geral, com quase todos os países ocidentais, cujas economias hoje estão paralíticas, porque de há uns decénios para cá, não investiram em massa na educação das suas crianças e jovens. Vários especialistas em questões educacionais, como a norte-americana Susan Traiman diz, categoricamente, que o que causa agora a estagnação do desenvolvimento dos EUA e do resto do Ocidente é, de facto, terem negligenciado a educação das suas camadas mais jovens, e que este problema agravou-se quando já nem podia recorrer à importação dos cérebros doutros países.

Diz que o que travou o roubo ou dreno de cérebros que vinham até aqui sendo a tábua de salvação das economias ocidentais, é que as suas multinacionais passaram a optar por transferir as suas fábricas e centros de investigação para os países onde podiam encontrar pessoas talentosas e a um custo mais baixo, como é o caso desta mesma China, onde com um valor com que se paga um salário de um americano, se paga quatro de engenheiros chineses.

Susan explica que a falta de quadros em número suficiente nos EUA e noutros países ocidentais, levaram as multinacionais a tomarem essa opção de instalar as suas fábricas onde há gente qualificada ao invés de os importar. Ela vinca que a indústria de alta tecnologia dos EUA sofre duma penúria crónica de engenheiros, matemáticos, físicos e biólogos, e vê-se obrigada a importar talentos do estrangeiro. Mas, actualmente, os donos das nossas multinacionais têm essa outra opção, que é transferir as suas fábricas de produção e investigação para países como a China. Dados contidos num outro grande livro, o “Global Trape” ou “Armadilha Global”, mostra que grande parte das actividades das fábricas das multinacionais, estão em países estrangeiros e não mais nos de origem dos seus proprietários.

O sucesso económico da china é sinonimo da educação massiva das suas crianças e jovens

Um dos melhores jornalistas italianos, Frederico Rampini, que viveu 25 anos da sua carreira como correspondente do jornal “La Republica” até finais da década de 90, e que publicou um célebre livro sobre o milagre económico chinês com o título Século Chinês, diz que o que faz com que a nação chinesa esteja hoje a registar um desenvolvimento à velocidade da luz, é porque investiu massivamente nos últimos 60 anos na educação rigorosa das suas crianças e jovens, a tal ponto que se proibia aos estudantes universitários de contraírem matrimónio antes de concluírem o seu curso.

Para sustentar esta sua asserção, Rampini diz que politécnicas ou universidades chinesas têm estado a produzir de há umas décadas para cá, 350 mil engenheiros por ano, para além de centenas de milhares de outros que se têm graduado noutras áreas da vida, como a da economia e da medicina. Neste momento a China é o líder mundial no que diz respeito ao investimento na educação do seu povo, se bem que a Finlândia lidera a esfera científica. Os mesmos dados, que neste caso estão contidos no tal famoso O Século Chinês, apontam que mais do que estes astronómicos números de graduados, o que tem estado a levantar a China do abismo do atraso em que esteve durante os séculos, é a invejável qualidade do seu ensino.

O método de ensino chinês privilegia a capacidade de aplicar os conceitos de maneira criativa para resolver novos problemas ou que nunca antes se conheciam, e é contra o método de memorização de definições, porque ser visto como próprio de papagaios que sabem imitar os sons humanos sem ter a mínima ideia do seu significado. Actualmente, o método chinês tem estado a ser replicado em vários outros países asiáticos, como a Índia e a Singapura, e os frutos que dele se tem colhido está á vista de todos.

Actualmente, as maiores e mais prestigiadas universidades do mundo que têm a tradição de seleccionar os melhores estudantes de todo o mundo para serem seus estudantes, a maioria dos que passam, nos exames de admissão, tem sido jovens chineses e de outros países asiáticos. Dum modo geral, nesses exames, que neste caso têm sido feitos na cidade de Paris, sob a égide da Organização Ocidental de Cooperação (OCDE) na sua sede em Paris, e que consistem acima de tudo em matemática e ciências naturais como biologia, os norte-americanos tem quedado pelo 25/o lugar, sendo o primeiro ocupado pelos da China. Nesses exames tomam parte dezenas de milhares de estudantes de vários países.

Empresas moçambicanas devem patrocinar a educação se querem ser bem sucedidas ao invés de se limitar ao patrocínio do desporto

Um dos catalizadores da ascensão económica da China, são os patrocínios que as grandes empresas chinesas e algumas multinacionais injectando milhões de dólares nas universidades e centros de investigação. Ao contrário das nossas grandes empresas que movidas pela ganância de vender mais se limitam a patrocinar as equipas desportivas, especialmente as de futebol. As chinesas dão patrocínios tanto para o sector desportivo como para o da educação, porque sabem que é este que produz os quadros que precisam para manter, desenvolver e inovar os seus negócios.

O saber fazer deve ser disseminado, e por isso mesmo as empresas podem ajudar a dar corpo à politica do Presidente Guebuza de multiplicar as escolas técnicas e outras politécnicas para que ensinem as camadas mais jovens a transformar os recursos naturais em bens acabados que tenham mais valia no resto do mundo. Esta pratica das empresas em ajudar a disseminar o conhecimento tem sido vital para a substituição dos seus trabalhadores que vão se reformando ou morrendo de velhice ou doenças incuráveis.

É uma prática que julgamos que devia ser replicada pelas empresas moçambicanas no quadro da muito apregoada responsabilidade social que até aqui os seus responsáveis mais falam dela do que a praticam. Para um país como o nosso que carece de quadros, os poucos técnicos que temos deviam, após a reforma, ser afectos às escolas técnicas e universidades para transmitirem o seu saber e talento aos mais novos. Esta pratica é o pão de cada dia no Japão, por exemplo.

Todos os melhores técnicos das grandes empresas, como a Honda e a Panasonic, passam a ocupar o seu tempo de reforma dando aulas nas universidades, e os seus salários são pagos a quádruplo pelos seus antigos empregadores. Dar aulas é o único emprego que é permitido a aceitar depois dessa reforma de ouro que as suas empresas lhes dão. Isto mostra que as empresas japonesas sabem que a velhice é apenas perca de forças para fazer trabalhos pesados, mas não é perca da sabedoria ou do conhecimento que um velho acumulou ao longo de décadas de estudo e trabalho.

Lamentavelmente, entre nós, o velho é para se atirar na caixa do lixo como se de inútil fosse. Uma das outras coisas que as empresas moçambicanas deviam fazer, era ajudar a expandir o programa do governo de distribuição de livros gratuitos pelas escolas, especialmente pelas zonas rurais onde vive a maioria desses petizes desprovidos de meios que possam lapidar as suas tenras mentes. E aqui quando falo do livro, não falo só do da leitura escolástica, mas do outro livro que complementa a mente de um ser que acaba de chegar a este mundo, como o romance e outros livros que abundam nas cidades, mas que são espécie rara ou impossível de encontrar no campo.

Caso as empresas abracem esta minha sugestão e passarem a patrocinar o envio de todo o tipo de livros para os milhões de alunos das zonas rurais, o nosso país iria passar a multiplicar homens com tanto talento que há por esse mundo rural, porque para isso já deu provas de que os tem, tanto mais que é das zonas rurais que veio boa parte dos que tiveram a nobre ideia de que podíamos lutar pela nossa independência e derrotar o então mitológico regime colonial.

Entre estes homens que, tendo nascido nas zonas rurais, acabaram nos liderando na nossa luta pela independência está o Dr. Eduardo Mondlane e Samora Machel. Com estes dois exemplos, fica claro que mandar livros para as crianças do campo, mesmo que seja em segunda mão, é um valioso investimento para o país e para as próprias empresas. De resto, um livro que cai nas mãos de uma criança do campo que já sabe ler, é uma preciosidade que passa a ocupar todos os seus tempos livres, porque ele não tem outro meio de se divertir, como os tem os das cidades quem gastam a maior parte do seu “time” vendo TV’s ou jogando games.

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