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Grécia ruma para nova eleição, com favoritismo da esquerda

Os políticos gregos fracassaram na sexta-feira os seus esforços para formar um novo governo, e o país está mais perto da realização de novas eleições, em que a extrema esquerda é favorita com promessas de rejeitar uma ajuda internacional de 130 bilhões de euros.

A Grécia acaba de ir às urnas, no domingo passado, mas o resultado foi inconclusivo, paralisando o país mais afetado pela crise da dívida na zona do euro. A moeda única europeia alcançou sua cotação mais baixa desde janeiro, cotada a cerca de 1,29 dólares, e a Bolsa de Atenas caiu mais de 4 por cento, atingindo seu menor nível desde 1992.

O ministro em exercício das Finanças, Evangelos Venizelos, líder do partido socialista Pasok, admitiu seu fracasso na tentativa de formar um novo governo, já que não conseguiu atrair o esquerdista radical Alexis Tsipras, que promete rejeitar o pacote de resgate financeiro oferecido pela União Europeia e o FMI em troca de medidas de austeridade.

Depois da eleição, o primeiro encarregado de tentar formar uma coligação foi o partido conservador Nova Democracia. Em seguida, Tsipras também tentou sem sucesso montar uma maioria. Venizelos deve informar a sua desistência na tarde de sábado ao presidente Karolos Papoulias, que então irá convocar todos os líderes políticos num último esforço.

Caso o acordo não surja, conforme é esperado, ele deverá convocar uma nova eleição para meados de junho. Tsipras disse que não aceitou participar de um governo de unidade nacional porque ele iria contrariar o desejo do povo grego de rejeitar o pacote internacional.

O Nova Democracia e o Pasok, que durante décadas se alternaram no poder no país, foram punidos pelo eleitorado por terem juntos aceitado o resgate financeiro. A votação combinada dos dois partidos caiu de 77 para 32 por cento. Apesar disso, eles estiveram próximos de conseguir formar a maioria, por causa da regra que dá ao partido mais votado – o Nova Democracia – 50 deputados adicionais em um total de 300.

Agora, os partidos tradicionais devem perder essa vantagem. Uma nova pesquisa mostrou o Syriza, de Tsipras, em primeiro lugar, consolidando sua posição entre os eleitores contrários ao pacote. Isso significa que a esquerda deve conseguir as 50 cadeiras adicionais, reduzindo a bancada pró-resgate a cerca de um terço do Parlamento.

Seria uma transformação radical na política grega, com possíveis implicações em toda a Europa – onde sucessivas eleições têm mostrado uma rejeição dos eleitores às medidas de austeridade preconizadas pela Alemanha. No extremo, esse cenário poderia levar a Grécia a abandonar a moeda única, embora a maioria da população grega rejeite a volta ao dracma, e o Syriza diga que é possível rejeitar o pacote da UE/FMI sem abrir mão do euro.

Mas outros governos europeus dizem estar determinados a cortar o financiamento a Atenas se os termos do pacote forem rejeitados, mesmo que isso signifique empurrar o país para a falência, resultando numa custosa exclusão grega do euro. “Só vamos dar (o dinheiro) se a Grécia cumprir todos os acordos. Do contrário, eles não vão receber o dinheiro”, disse o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

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