Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

https://www.petromoc.co.mz/Lubrificantes.htmlhttps://www.petromoc.co.mz/Lubrificantes.htmlhttps://www.petromoc.co.mz/Lubrificantes.html
Publicidade

Governos aceitam texto do Brasil na Cimeira do Rio+20; ONGs criticam

Os Governos representados na Cimeira do Rio+20 superaram impasses e aprovaram nesta terça-feira a proposta do Brasil para um texto final da Rio+20, apesar da resistência de algumas delegações e da crítica de ambientalistas, que apontaram para falta de ambição no documento. A crise económica internacional assombrou as expectativas da conferência, que chegou a ser chamada de Rio-20 pelas ONGs, e acabou tornando-se numa justificativa para a resistência nas negociações de pontos-chave do texto.

Países ricos, tradicionais financiadores de projetos ambientais e os mais afetados pela crise, conseguiram barrar a criação de um fundo de 30 bilhões de dólares para programas sustentáveis, proposto pelo G77, grupo que reúne as nações em desenvolvimento. Em vez da criação de um fundo, o texto cita instituições internacionais e privadas e o uso de variadas fontes de financiamento para implementação de medidas sustentáveis, mas não há menção a valores.

“O que se decidiu aqui foi ter uma estratégia para mecanismos de financiamento. Tem por trás também uma disputa, principalmente dos países desenvolvidos, de querer transferir para o setor privado a obrigação que é do setor público. Os países pobres não aceitaram isso”, disse uma alta integrante da delegação brasileira, sob condição de anonimato.

Os países ricos também rejeitaram comprometer-se com a transferência de tecnologia, e o texto aprovado apenas reafirma a importância para que nações em desenvolvimento tenham acesso à tecnologia já disponível.

O Brasil considerou, no entanto, uma vitória a manutenção do princípio de “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, sob o qual países pobres e em desenvolvimento teriam um tratamento diferenciado, transferindo responsabilidade maior aos ricos. O princípio sofria risco de ser modificado, o que representaria um retrocesso em políticas já acertadas.

“Os Estados Unidos tentaram rever o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Isso foi uma verdadeira disputa”, disse ela. No México, a presidente Dilma Rousseff comemorou como “uma vitória do Brasil” a aprovação do texto, embora tenha admitido que foi “o documento possível entre diversos países, entre diferentes visões do processo relativo à questão ambiental”.

“TER OU NÃO TER”

O Brasil, que pressionava para a aprovação do texto antes da reunião de cúpula com os chefes de Estado que começa na quarta-feira, buscou simplificar a redação e eliminou trechos que causavam grandes divergências. “O resultado não deixa de ser muito satisfatório porque existe um resultado, em primeiro lugar. Aqui a perspectiva era -mesmo até ontem (segunda-feira) nós enfrentamos dificuldades bastante significativas para fechar o texto- de ter texto ou não ter texto”, disse a jornalistas o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, após a plenária que aprovou o documento.

Diplomatas brasileiros envolvidos nas negociações citaram a mudança de status do Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (Pnuma) como outro entrave para um acordo. Países da União Europeia, Brasil e nações africanas defendiam a garantia de elevação do programa à condição de órgão da Organização das Nações Unidas.

O texto cita apenas um apoio ao fortalecimento do programa, mas deixa à Assembleia Geral da entidade discussões sobre a transformação para agência. Outro ponto de resistência foi a questão relativa às águas internacionais, sobre a qual havia uma ambição elevada, de acordo com a fonte brasileira. “Temos um texto de consenso que aponta direções.

As críticas das ONGs são bem-vindas, o papel das ONGs é exatamente esse, ser mais ambicioso, estimular o debate, provocar a sociedade, e por isso mesmo nós estamos dando uma voz às ONGs nesse processo”, disse Patriota. Os diplomatas brasileiros esperavam ter aprovado o texto na segunda-feira, mas as negociações avançaram a madrugada diante dos impasses. O documento foi aprovado sem mudanças durante plenária de delegações, mas países que se opunham a trechos do texto manifestaram descontentamento, apesar de terem aprovado a redação.

O documento agora será apresentado aos chefes de Estado e governo e ainda pode passar por alterações.

A União Europeia, que vinha resistindo à pressão do Brasil para aprovar o texto antes da reunião de cúpula da Rio+20 e se queixava da falta de ambição no documento, baixaram o tom nesta terça-feira, elogiando, com ressalvas, a redação do texto. “Claro (que) acertar um consenso tem infelicidades em alguns pontos, mas ninguém questiona o consenso”, disse a jornalistas o chefe de comunicação da Rio+20, Nikhil Chandavarkar, ao anunciar o acordo.

“FRACASSO ÉPICO”

Grupos ambientalistas repudiaram a redação do texto final e viram um fracasso da reunião, que passou a ser chamada por ativistas de “Rio-20”. “A Rio+20 se transformou em um fracasso épico. Falhou em equidade, falhou em ecologia e falhou na economia”, disse em comunicado Daniel Mittler, diretor político do Greenpeace.

A especialista em negociação da Third World Network, Meena Raman, citou “falta de ambição” no texto, e disse que os esforços terão de ser “redobrados”. “Este resultado mínimo sinaliza a falta de coragem política e comprometimento dos países desenvolvidos”, disse ela em nota.

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!