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Governo veda exportação de castanha de cajú em bruto

O governo de Nampula acaba de tomar medidas severas a fim de prevenir que a indústria local de caju seja assolada por uma crise cujas proporções impliquem o encerramento de algumas unidades e consequente perda de milhares de postos de emprego, com impacto negativo na vida da população no contexto social.

A medida anunciada pelo governador de Nampula, Felismino Tocoli, consubstancia-se na proibição da exportação de castanha de caju em bruto, que vai vigorar até que à confirmação de que as indústrias processadoras daquele produto estratégico têm asseguradas quantidades suficientes para a sua laboração até à próxima campanha de comercialização.

O processo de comercialização da castanha de caju em Nampula tem sido caracterizado por uma subida dos preços do produto, situando-se actualmente em trinta meticais o quilograma contra a metade do valor praticado no início da campanha de compra em meados de Outubro passado.

Facto que, para Felismino Tocoli, reflecte algum interesse por parte de alguns intervenientes, particularmente estrangeiros, em conseguir a maior quantidade para exportação.

Referiu que a subida do preço de compra de castanha de caju é sempre benéfica para o produtor, mas, em direcção contrária, prejudica os industriais do sector, que poderão não se sentir preparados financeiramente para competir no mercado,e, portanto, influenciar as suas metas de produção bem como o seu compromisso com a massa laboral.

A nossa reportagem apurou, junto das entidades portuárias de Nacala, que está vedada, a entrada no recinto, de castanha de caju destinada a embarque para exportação.

O parque industrial de caju em Nampula é composto por um total de 16 unidades espelhadas pelos distritos com potencial para a produção da cultura, nomeadamente Angoche, Moma, Ilha de Moçambique, Monapo, além de Meconta e Mogovolas, cuja capacidade global de processamento anual situa-se em cerca de 23 mil toneladas.

Aliás, o presidente da Associação dos Industriais do Caju no país (AICAJU), Mohamed Yunnus, considerou o actual preço de 30 meticais/quilograma de castanha de caju um presente envenenado e que periga a indústria em todo o país, pois poderá sofrer o impacto dos custos ao longo do processo de comercialização do produto que ainda vai a meio.

A fonte advertiu que a entrada massiva de cidadãos estrangeiros que se dedicam a compra de castanha de caju resulta da falta de regulamentação sobre a matéria e está a reflectir-se na corrida para a exportação do produto em bruto para mercados muito equilibrados no contexto de existência de matéria prima para as industrias locais.

Instou as entidades competentes no sentido de adoptarem, a curto prazo, uma legislação avulsa que proíba a entrada de estrangeiros e a actuação de agentes económicos nacionais interessados em comprar castanha para exportação em bruto, num flagrante atentado à indústria local.

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