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Governo procura investidores para a construção de refinarias de petróleo no país

O Governo moçambicano diz que está a procura de investidores para a construção de refinarias de petróleo no país, depois do falhanço dos projectos aprovados pelo executivo nesse sentido.

Moçambique precisa de refinarias de petróleo para reduzir os encargos da importação dos combustíveis para o país. Neste momento, o país é totalmente dependente da importação de combustíveis já refinados, que chegam a custar aos cofres do Estado mais de 700 milhões de Dólares Norte-americanos (USD) por ano.

Segundo o Ministro moçambicano da Energia, Salvador Namburete, o Governo não tem capacidade financeira para investir na construção de refinarias de petróleo, embora sejam necessárias para o país.

“Uma refinaria em Moçambique é um desejo e é um projecto que, a realizar-se, traria mais-valia para o país. Infelizmente as campanhas e promoções que temos vindo a fazer ainda não nos permitiram avançar, portanto, ainda não há acordos com investidores para avançar”, disse.

Namburete fez estas declarações a jornalistas, durante o balanço do VII Conselho Coordenador do Ministério da Energia realizado semanada finda no distrito de Namaacha, província de Maputo.

Moçambique já teve propostas de grandes projectos de construção de refinarias aprovados pelo Governo, que, alegadamente, devido à crise financeira e económica mundial, não se materializaram, colocando por terra todas as possibilidades de, algum dia, o país vir a produzir os combustíveis que consome, e quiçá exportar para os países vizinhos.

Trata-se dos projectos de Refinarias de Nacala-a-Velha, na província nortenha de Nampula, avaliado em cinco biliões de Dólares norte-americanos (USD), e da Oil Moz, na província de Maputo, orçado em oito biliões USD, para o qual já haviam sido disponibilizados 50 milhões USD para financiamento de algumas fases do mesmo.

“Houve propostas como a refinaria da OILMOZ para a província de Maputo, num investimento de 8.0 biliões USD, e tivemos a proposta para Nacala-a-Velha, avaliada em 5.0 biliões USD. O Governo fez de tudo para a facilitação, promoção e aprovação destes projectos. Os empreiteiros já tinham vindo ao país, assinaram o contrato, mas quando tudo indicava que se ia fechar o ciclo em relação a refinaria, em 2008, veio a crise e levou tudo, e o país voltou a estaca zero. Agora estamos a procura de alguém que possa investir”, desabafou Namburete.

“Está posta de lado a hipótese de ser o governo a investir. Não há recursos para isso, mas interesse. O Governo está disposto a dar aos investidores todos os incentivos e apoios necessários para que uma refinaria possa existir no país”, frisou.

Namburete explicou que a refinação é sempre desejável para um país como Moçambique, como uma actividade económica que trás infra-estruturas e desenvolvimento a volta dos projectos, mesmo que não contribua para a redução dos preços dos combustíveis internamente.

“Ao invés de importarmos todos os combustíveis que precisamos, podemos produzir na base do petróleo bruto o gasóleo, a gasolina, o próprio GPL (gás doméstico) e outros produtos petrolíferos que hoje importamos”, salientou.

Segundo o Ministro, para viabilizar uma refinaria, o país precisaria de contar com o mercado regional, porque constitui um potencial.

“Há uma grande procura de combustíveis em vários países da região, a Zâmbia, Zimbabwe e Malawi, países do interior, precisam de combustíveis, até a vizinha Tanzânia está com restrições. A África do Sul que tem refinarias, já não tem capacidade de refinação de todos os combustíveis de que precisa e já mistura a importação de crude (petróleo bruto) e outros combustíveis já refinados”, explicou.

O preço do barril de petróleo, neste momento, é cotado no mercado internacional a 85 USD. Este valor representa uma queda assinalável, tendo em conta que em Março último o barril do petróleo chegou a custar 120 dólares nos principais mercados.

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