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Governo deve assumir investigação cientifica como prioridade estratégica

Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Graça Machel, defendeu na segunda-feira, em Maputo, que a investigação científica deve ser encarada como uma área prioritária de interesse estratégico para o desenvolvimento do país.

Para o efeito, disse Graça Machel, o Governo deve assumir a sua responsabilidade de alocar mais investimentos para a produção de conhecimento. A presidente da FDC, que falava na palestra anual sobre saúde global organizada pela Fundação Manhiça, sublinhou que um país que tem a ambição de se desenvolver deve investir seriamente na produção do saber através da investigação científica. Para Machel, a produção do conhecimento não se limita a absorver o saber desenvolvido por outros.

“Um país que tem ambições de se desenvolver deve investir seriamente na produção do saber e isso não passa apenas por absorver o saber desenvolvido por outros, mas sim através de uma investigação realizada por nós próprios sobre a nossa realidade” disse. Durante a sua intervenção, a presidente do FDC mostrou-se insatisfeita com o facto de a investigação científica em Moçambique ser fundamentalmente financiada por doações e com uma fraca participação do Estado. “Estamos a dizer que 88 por cento da investigação é financiada por doações e o Orçamento do Estado financia apenas 12 por cento.

Isso não é correcto. É preciso que, como Estado, assumamos a responsabilidade da investigação científica como uma área de interesse estratégico para o desenvolvimento e não como uma área secundária” defendeu. Para Graça Machel, existem muitos riscos quando a investigação científica depende do financiamento externo. “O primeiro risco é que as prioridades do país podem ficar distorcidas porque as prioridades dos doadores nem sempre são as mesmas que as nossas.

O segundo é quando as prioridades dos doadores mudam, os investimentos vão para outro lugar e todo o trabalho que desenvolvemos se perde” explicou. Outra inquietação apresentada pela presidente do FDC está relacionada com o facto de 97 por cento da investigação que se faz no país ser aplicada, portanto, aquela que tem resultados práticos e visíveis em termos económicos, havendo pouca investigação básica e experimental (que produz conhecimento).

“A investigação básica e experimental são muito baixas no país. É preciso que Moçambique se transforme numa sociedade que pensa cientificamente e não pensa apenas nas coisas que se aplicam ao desenvolvimento” frisou. Outra lacuna na investigação científica em Moçambique, segundo Machel, está relacionada com a importância conferida a determinados sectores em detrimento de outros. Esta situação leva a uma discrepância na alocação de investimentos.

A presidente citou como exemplo o sector de recursos naturais, com destaque para os marinhos e pesqueiros, como sendo as áreas que estão a beneficiar de um maior volume de investimentos, ou seja cerca de 87 por cento dos recursos alocados à investigação. Enquanto isso, outros sectores tais como ciências médicas, agricultura e veterinária, ciências sociais e humanas, engenharia partilham apenas os restantes 13 por cento dos recursos disponíveis.

A palestra Anual sobre Saúde Global foi organizada por ocasião da celebração do segundo aniversário da criação da Fundação Manhiça, entidade gestora do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM). A palestra contou com a presença de membros do Governo, do corpo diplomático acreditados em Moçambique, quadros do sector da saúde e interessados no sector, entre outros.

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