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Governo de Sofala recomenda necessário aprofundar estudos de impacto ambiental

A Riversdale Mining Ltd, uma sociedade australiana, titular de 18 títulos mineiros em Moçambique, com enfoque para o carvão de Benga, na província de Tete, onde planeia iniciar operações no segundo semestre deste ano, com extracção de cerca de 5.3 milhões de toneladas por ano de carvão, apresentou há dias ao Governo Provincial de Sofala o seu projecto de utilização do rio Zambeze para o escoamento do produto através de barcaças.

Na apresentação, foi referido que o estudo de impacto ambiental para o efeito exigido pelo Governo já foi concluído e exclue-se qualquer possibilidade de ocorrência de efeitos negativos ao ambiente.

Os gestores da Riversdale Mining Ltd revelaram no referido encontro que um estudo técnico foi também feito ao mesmo tempo que o ambiental e para tal foi construída uma embarcação automotora em Tete para desenvolver este estudo, bem como adquiridas outras três para os estudos no rio.

A Riversdale vê o transporte de carvão por barcaças até Chinde, onde estariam ancorados barcos de grande calado que depois fariam carregamento para os grandes mercados de consumo, como forma complementar ao transporte por linha férrea. A equação do transporte fluvial é vista também como sendo mais barata e segura.

Entretanto, a posição manifestada pelo executivo de Sofala liderado por Carvalho Muária recomenda a necessidade de se aprofundar ainda mais os estudos para a utilização do rio Zambeze no escoamento de carvão de Benga até a região de Chinde.

O porta-voz do Governo Provincial de Sofala, José Ferreira, que é igualmente o director provincial da Indústria e Comércio, justificou em em entrevista ao nosso jornal que a preocupação do executivo local tem em conta sobretudo a vida das populações ribeirinhas, os seus hábitos culturais e alimentares e ainda o impacto que a exploração da via fluvial poderá provocar sobre a fauna e toda biodiversidade à volta e também levanta-se o problema de erosão ao longo das margens do rio.

Anteve-se que o movimento de barcaças no leito do Zambeze vai alterar o comportamento do rio, haverá ruídos constantes, além de que serão necessárias operações regulares de dragagem por forma a obter-se ao longo de todo o percurso a profundidade e a largura favoráveis a circulação das barcaças que serão movimentadas em forma de comboio, cada uma com capacidade estimada de 25 mil toneladas.

Está posta de lado, entretanto, a possibilidade de poluição do rio com carvão em caso de neufrágio, assumindo-se que quase todo leito do Zambeze corre sobre jazigos de carvão da mesma espécie a ser extraída em Benga. Refira-se, contudo, que a utilização do Rio Zambeze para o transporte fluvial tem constituído nos últimos anos uma matéria que está a dividir os governos moçambicano e do Malawi.

O Malawi, país vizinho sem ligação ao mar, necessita de Moçambique para chegar aos portos marítimos através da navegabilidade pelos rios Zambeze e Chire.

No entanto, Moçambique condiciona a navegabilidade dos referidos rios em território nacional, exigindo que se faça um estudo ambiental mais aprofundado por forma a evitar possíveis efeitos negativos ao ambiente e consequentemente a vida das populações.

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