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Gorongosa – O regresso do tesouro da floresta!

Gorongosa - O regresso do tesouro da floresta!

Depois de longos anos de letargia, hoje o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) – outrora o maior parque de caça – volta a ter tudo o que um turista de gosto refinado precisa para se deleitar. Mas ainda há desafios a vencer, como o de repovoar o que o homem destruiu.

Sobre o nascimento, a história, as agruras e as desgraças por que passou o PNG, há muito que tudo está escrito. Porém, a partir da altura em que a actual equipa (da Fundação Carr) tomou a iniciativa de chamar a si a responsabilidade de cuidar do futuro do parque, o cenário mudou para o melhor, como da noite muda para o dia. É verdade que ainda há pela frente um longo caminho por percorrer e imenso trabalho a efectuar para que o PNG venha, realmente, a exibir a riqueza que esconde na sua imensa floresta. E venha oferecer o seu esplendor, à semelhança do que já brindou os seus visitantes: ser o melhor parque de caça existente em África e – quiçá – de todo o mundo, se a análise for feita, cobrindo o período até aos anos ´80.

Desde que assumiu a liderança da gestão do PNG, a Fundação Carr e a sua vasta equipa de colaboradores têm dado o seu melhor para a efectiva recuperação em todas as vertentes daquele gigante turístico. Porém, há que dar destaque a resultados já palpáveis das obras efectuadas pela Fundação Carr até o momento: a recuperação total do acampamento de Chitengo, o seu indiscutível ícone e a reintrodução de algumas espécies praticamente extintas pela acção e gula do homem. Mais do que isso, quem hoje visita o PNG pode testemunhar mais um fenómeno não menos importante: a transferência pacífica e – diga-se em abono da verdade – benéfica das comunidades que viviam que no interior do Parque para as zonas circunvizinhas.

Números e esforços

As últimas estatísticas efectuadas no Parque Nacional da Gorongosa permitem que mantenhamos alguma esperança. Das várias conclusões, a primeira é naturalmente assustadora: das 12 espécies que constam nas contagens de 1972, num total de 37.200 animais, a guerra civil exterminou 8 delas, e reduziu o efectivo então existente, a 636 animais. Sem contar com algumas espécies, como sejam a imbabala, a inhala, o oribi, o javali, o eão, o leopardo, a hiena, o mabeco, o bushpig, as diversas espécies de macacos e aves, foram dizimados mais de 35.565 animais, que constituíam uma riqueza incalculável de difícil, ou mesmo impossível, recuperação.

Mas, graças às inteligentes medidas que a Fundação Carr- que investiu US$ 1,2 milhão de dólares- tem vindo a colocar em prática, tendo em vista a reposição das espécies, a recuperação da fauna bravia do PNG pode ser considerada espectacular, o que acalenta razões para alegria e faz ter alguma esperança no futuro do Parque.

Note-se, também, que, relativamente às estimativas de 1972, há a incrível recuperação de changos. Também há resultados assinaláveis relativos às gondongas que já é animador. Mas o que mais surpreende é a actual população residente de pivas, que ultrapassou largamente os efectivos registados na contagem relativa ao retro mencionado ano de 1972!

Mas há os infelizes, que são das espécies anteriormente abundantes. Espécies das mais importantes e emblemáticas do PNG. As zebras e os elandes, com apenas cinco efectivos cada, continuam, por isso, a constituir preocupação especial.

Ainda assim, e tendo em vista os resultados alcançados em tão curto espaço de tempo, o Governo e a Fundação Carr, bem como as pessoas directamente ligadas à conservação, protecção e manutenção das espécies do PNG, estão cada vez de mãos dadas. Sinal disso foi o Governo, através do Ministério do Turismo, e Greg Carr, presidente da Fundação que leva o seu nome, terem celebrado, em Junho último, o Acordo de Gestão Conjunta do PNG.

Visto no exterior

Em Junho de 2008, uma equipa do conhecido programa noticioso de TV dos EUA, “60 Minutes”, registou uma das suas histórias no Parque Nacional da Gorongosa. Quatro meses depois, a 26 de Outubro, o inusitado programa da cadeia americana CBS News dedicou a sua emissao ao PNG.

 

 

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