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General amigo de Assad deserta e foge para a França

O general sírio Manaf Tlas, que era amigo do presidente Bashar al Assad e comandou uma unidade da Guarda Republicana (força de elite), fugiu de Damasco e está a caminho de Paris, disseram o governo francês e um amigo da família nesta sexta-feira.

“Ele deixou a Síria e chegou ontem à Turquia. Ele quer vir à França para ficar com a sua família”, disse o amigo à Reuters por telefone de Paris. Ele não deu detalhes sobre como foi a fuga, mas testemunhas disseram que agentes do governo saquearam a casa dele em Damasco, na quinta-feira.

O chanceler francês, Laurent Fabius, confirmou durante reunião com rebeldes sírios e seus apoiadores internacionais, em Paris, que Tlas estava de fato a caminho da França, país que já colonizou a Síria e para onde muitos dissidentes fugiam no passado. “Posso confirmar que ele desertou e está a caminho da França”, disse Fabius.

Tlas, que tem cerca de 45 anos, tinha uma vida social agitada em Damasco. Seu pai, Mustapha, foi durante 30 anos ministro da Defesa do pai de Assad, e hoje vive em Paris, assim como a irmã do general desertor, viúva de um rico comerciante saudita de armas.

A família é oriunda da maioria sunita da Síria, e a deserção de Tlas pode prenunciar uma divisão na elite política e militar do país, que é dominada pela seita alauita. Tlas foi colega de Assad na academia militar, e sua deserção, em princípio, tem um efeito mais simbólico do que estratégico para a rebelião. Amigos dizem que Tlas estava descontente com a repressão governamental aos protestos populares dos últimos 16 meses.

Também é possível que ele anteveja o fim dos 42 anos de domínio da família Assad no país. A rebelião contra Assad tem a participação principalmente de sunitas pobres, ao passo que seus correligionários mais ricos relutam em aderir.

A situação na Síria já configura, segundo a avaliação de vários especialistas, uma guerra civil, e os combates atingiram “níveis sem precedentes” nas últimas semanas, segundo o general norueguês Robert Mood, chefe da missão de monitoramento da ONU no país.

Ativistas dizem que cerca de cem mortes estão ocorrendo por dia.

Na manhã de sexta-feira, três pessoas foram mortas em bombardeios e incursões do Exército na província de Deraa (sul), berço da revolta. Na província de Deir Ezzor (nordeste), ativistas relataram intensos combates na localidade de Albu Kamal, e um vídeo mostrou uma plantação em chamas.

 

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