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Gautrain – o primeiro metro africano

Confortável, tranquilo e sem engarrafamentos de trânsito, nem semáforos, é assim o Gautrain – conjugação da abreviatura de Gauteng, nome da província onde está situado, e “train” de comboio – o primeiro comboio rápido de África, que liga o aeroporto O.R. Tambo em Johanesburgo ao sofisticado bairro de Sandton, e daqui faz ligação com a capital administrativa sul-africana, Pretória.

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Durante o regime do apartheid os transportes urbanos foram usados para separar os bairros brancos dos guetos negros, e dezasseis anos depois ainda não é fácil sair do Soweto num transporte público em direcção ao coração da cidade de Johanesburgo. Para os milhares de sul-africanos que vivem fora da cidade e precisam de ir aos seus locais de trabalho todos os dias, a solução tem sido os transporte semicolectivos, similares aos nossos “chapas”, e o uso de automóveis pessoais.

180 km/k é a velocidade de ponta do Gautrain que, embora longe dos 320 km/h que TGV atinge na Europa, é o comboio mais rápido do continente africano. Composto por 24 locomotivas que puxam quatro carros ligados entre si, com lugares para passageiros e espaço para bagagem, o Gautrain demora apenas 15 minutos do Aeroporto O.R. Tambo até a estação de Sandton – assista ao vídeo feito pelo repórter d´Verdade no youtube.com/verdadetruth – o trajecto idêntico feito de automóvel demora habitualmente 1 a 2 horas, isso se não existirem engarrafamentos no tráfego.

A construção, que custou uns exorbitantes 24 bilhões de rands, começou em 2006 e espera-se que esteja concluída em 2011, e nessa altura o Gautrain irá ligar também o subúrbio do Soweto completando a linha de 80km de extensão. O comboio e as carruagens ‘Electrostar’ foram construídas por uma empresa canadiana, a Bombardier, que também produz aviões – como o Q400 das Linhas Aéreas de Moçambique – e são o resultado do que existe de melhor na tecnologia para comboios de alta velocidade.

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O Gautrain opera das 5h30 às 20h30, e uma viagem do Aeroporto O.R. Tambo para Sandton custa 220 rands, um custo bastante razoável para turistas que de táxi poderiam pagar até 500 rands. Para os sul-africanos menos favorecidos este custo é relativamente caro, contudo, para aqueles que habitualmente se fazem movimentar nas rotas do Gautrain de automóvel privado as contas poderão ser mais encorajadoras pois a partir das estações por onde passa o comboio de alta velocidade é possível apanhar-se machimbombos para outros locais da cidade; existem parques de estacionamento para os utentes que conduzam até as estações e depois usem o comboio para entrar na cidade.

Um dos grandes desafios da África do Sul, para a realização do Campeonato do Mundo de futebol, foram os transportes urbanos de passageiros e, apesar dos biliões de dólares investidos, os transportes públicos continuam a ser um grande problema para Jacob Zuma e os seus pares.

Mas o Gautrain, não sendo a solução dos problemas de transportes públicos para os sul-africanos é sem dúvidas uma infra-estrutura com a qualidade do primeiro mundo que irá facilitar a vida dos milhares de turistas e homens de negócios que visitam todos os dias Johanesburgo e Pretória.

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