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Funes assume como o 122º presidente de El Salvador

O jornalista de esquerda Mauricio Funes, 49 anos, torna-se, nesta segunda-feira, o 122º presidente de El Salvador, um país historicamente governado por ricas famílias conservadoras e militares. Também tomará posse no cargo o vice-presidente Salvador Sánchez Cerén, o único membro do antigo comando geral guerrilheiro que permanece na Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN, esquerda).

Já chegaram ao país, para a cerimônia, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, os príncipes de Espanha Felipe de Borbón e a esposa Letizia, os presidentes do Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva; Equador, Rafael Correa; Colombia, Alvaro Uribe; Chile, Michelle Bachelet; os dirigentes centro-americanos – um total de 72 delegações de todo o mundo.

Com um gabinete de técnicos – a maioria não pertence ao FMLN que o levou no dia 15 de março à presidência – e alguns ex-comandantes rebeldes, Funes desperta enormes expectativas não apenas entre os pobres do país, que compõem 36,8% da população, mas entre os empresários e o mundo que aguarda, com expectativa, se seguirá o modelo de Luiz Inacio Lula da Silva no Brasil ou o de Hugo Chávez, na Venezuela.

O futuro presidente deixou clara sua admiração pelas conquistas de Lula no Brasil, de onde vem sua atual esposa, Wanda Pignato, mas sua recente viagem à Venezuela desperta suspeitas em muitos analistas; até agora, os governos de direita de El Salvador foram um dos principais aliados dos Estados Unidos na região. O analista Rafael Castellanos advertiu, no entanto, que os salvadorenhos não desejam o chamado socialismo do século XXI nem a “intromissão” do presidente venezuelano e seus petrodólares “para ditar políticas no país”.

A partir desta segunda-feira, Funes terá que lidar com a crise econômica num país onde a direita neoliberal não soube resolver em seus 20 anos de governo a forte brecha social e, principalmente, uma delinquência galopante originada que deixa, em média, 12 homicídios diários. Também terá que administrar e ajudar a restaurar as feridas deixadas por uma guerra civil de 12 anos (1980-1992) na qual a FMLN, antes de se transformar em partido político, pegava em armas.

O ato de alternância no poder nesta segunda-feira, segundo Escobar Galindo, analista e negociador governamental, fará com que “tanto o FMLN quanto a Arena sejam obrigados a passar, logo de início, no primeiro exame probatório: o da sensatez. A realidade não está disposta a lhes dar nenhum tipo de prorrogação”, destacou.

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