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França diz que iraniana não foi enforcada esta quarta

Parlamentar diz que Irão suspendeu sentença de Sakineh

A iraniana condenada por adultério não terá sido executada esta quarta-feira, disse o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, citando uma conversa telefônica com seu colega da República Islâmica. O Comitê Internacional contra o Apedrejamento, um grupo de defesa dos direitos humanos com sede na Alemanha, disse na terça-feira que Sakineh Mohammadi Ashtiani seria enforcada nesta quarta-feira, em vez de apedrejada, embora as autoridades iranianas tenham se negado a comentar o assunto.

A sentença de apedrejamento de Ashtiani foi suspensa no começo deste ano, depois de importantes personagens da política internacional e da religião terem chamado o fato de medieval, bárbaro e brutal.

O Brasil, que tentou negociar com o Irão uma saída para o impasse nuclear do país com o Ocidente, chegou a oferecer asilo para a mulher, que tem 43 anos e é mãe de dois filhos. Mas a proposta foi rejeitada pelo governo iraniano.

Indagada esta quarta-feira por repórteres em Brasília sobre seu posicionamento, a presidente eleita Dilma Rousseff disse ser “radicalmente contra” o apedrejamento da iraniana. “Não tenho nenhum status oficial para fazer isso, mas externo aqui perante a vocês que acho uma coisa bárbara o apedrejamento da Sakineh”, disse Dilma.

Em Paris, Kouchner emitiu um comunicado sobre o que ouviu do chanceler iraniano: “Manouchehr Mottaki me assegurou que as autoridades legais iranianas ainda não chegaram a um veredicto sobre esse assunto e que as informações sobre sua suposta execução não correspondem à realidade”. Ele acrescentou que falou com Mottaki na manhã desta quarta-feira, pedindo a ele que desista da execução e perdoe a mulher.

O secretário britânico do Exterior, William Hague, alertou as autoridades iranianas sobre prosseguir com a execução, dizendo que tal ato afetaria as relações internacionais do Irã. “Essa é uma punição selvagem e prejudicará o Irão aos olhos do mundo. Será muito melhor não seguir em frente com isso”, afirmou Hague a repórteres na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, durante visita a Israel e a territórios palestinos.

As autoridades do Irão não estavam imediatamente disponíveis para comentar. Um porta-voz do governo iraniano afirmou em setembro que a condenação de Ashtiani por adultério estava sob revisão, mas que a acusação de ser cúmplice no assassinado do marido ainda incide sobre ela. Sob a lei islâmica que vigora no Irão desde a revolução de 1979, o assassinato é punível com o enforcamento e o adultério, com o apedrejamento.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad esquivou-se de perguntas feitas por repórteres sobre o assunto na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em setembro, dizendo que as notícias foram fabricadas pela mídia ocidental hostil e chamando os Estados Unidos de hipócritas, por sua história cheia de execuções.

O caso piorou as relações do Irão com o Ocidente – já ruins devido ao programa nuclear de Teerã e ainda mais delicadas depois que dois alemães foram presos no Irã durante uma entrevista com o filho de Ashtiani. De acordo com a Anistia Internacional, o Irã é o segundo colocado do ranking mundial em número de execuções, perdendo apenas para a China.

Em 2008, as mortes chegaram a 346, de acordo com o organismo. “Exorto as autoridades iranianas que escutem imediatamente as exigências da comunidade internacional e respeitem os compromissos internacionais do Irã”, afirmou Kouchner.

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